Crítica: Carrie, A Estranha


Quando um estúdio de cinema anuncia a produção de uma refilmagem, é inevitável que os fãs torçam o nariz. Não há como fugir da expectativa gerada pela comparação entre a nova versão e o original. Mas diferente de Evil Dead (2013), Carrie, A Estranha não é propriamente um remake de um clássico icônico do terror. Brian de Palma dirigiu a adaptação cinematográfica de um livro de Stephen King, baseado em sua primeira obra. Após 37 anos do lançamento, é um dos filmes de terror mais populares de todos os tempos e um clássico absoluto do gênero.

Nesta releitura, Chloe Grace Moretz interpreta Carrie White, adolescente tímida e ingênua que passa a vida atormentada por colegas e professores. Sua vida fica ainda mais difícil quando é humilhada pelas colegas no vestiário da escola ao receber sua menarca, sem a mínima ideia do que está acontecendo – graças a criação abusiva de sua mãe fanática religiosa Margaret White (Juliane Moore). O corpo de Carrie começa a mudar na maneira hormonal habitual, mas também muda de uma maneira incomum: ela está desenvolvendo poderes telecinéticos. É a partir desse ponto que o conto ganha tensão.

Dirigido por Kimberly Peirce (responsável por Meninos Não Choram), Carrie é fiel ao material original e abarrotado de elementos modernos. Mas Peirce não se destaca em sua direção. Seu estilo de filmagem é altamente comum, sem nenhum elemento que estabeleça a marca da diretora. Em comparação a obra de Brian de Palma, Pierce descarta todo e qualquer erotismo artístico e dá ao filme a estética de uma fita de terror adolescente convencional, abusando dos efeitos visuais.

Uma das grandes diferenças entre as duas versões é a nova roupagem mais influenciada pelo conto original em seu desfecho. Margaret White rouba a cena e ganha mais espaço com a excelente performance de Juliane Moore. Os roteiristas Lawrence D. Cohen (parceiro de Brian de Palma em 1976) e Roberto Aguirre-Sacasa (da série Glee) até deram a Moore a primeira cena do filme, inexistente no livro e na primeira versão.

Enquanto a visão De Palma para o conto foi eletrizante, com atmosfera tórrida e requinte técnico, este Carrie, A Estranha não passa de entretenimento descartável. A fita é competente em refazer a história da protagonista atualizando o contexto para o século 21, mas não passa disso. Descartável, exagerada, com um desfecho decepcionante e entregando uma mensagem duvidosa, a película é uma afronta aos fãs do clássico setentista. Se o objetivo dos produtores era mesmo uma releitura mais fiel a obra de King, falharam miseravelmente.

(2.5/5)

Carrie, A Estranha (Carrie)
Estados Unidos, 2013 – 100 min.
Direção: Kimberly Peirce. | Roteiro: Lawrence D. Cohen e Roberto Aguirre.
Elenco: Chloë Grace Moretz, Julianne Moore, Gabriella Wilde, Portia Doubleday.

  • Eduardo

    Concordo. Decepcionante, esperava muito mais, principalmente porque os envolvidos são pessoas talentosas. Visualmente achei muito ruim, tudo parece artificial, o sangue, os poderes da Carrie…E a Chloe Grace Moretz simplesmente não convence. Compará-la com a Sissy Spacek é até covardia.