Crítica: Preciosa - Uma História de Esperança

Produção da apresentadora Oprah Winfrey, Preciosa - Uma Historia de Esperança é a adaptação para as telas do best-seller Push, escrito no final dos anos 80 pela escritora e artista performática Sapphire, baseado em suas experiências pessoais como assistente social. O filme aborda questões contemporâneas como educação e violência doméstica, então, prepare-se para levar um soco na boca do estômago.
A história se passa no Harlem, na Nova York de 1987 e é narrada pela personagem principal, Claireece Jones (Gabourey Sidibe), que em alguns intervalos, insere seu ponto de vista nas situações apresentadas. Conhecida como Precious, a menina de 16 anos, grávida pela segunda vez do próprio pai, cresce pobre, irritada, gorda e sem amor. Mary (Mo’Nique), sua mãe, é preguiçosa, arrogante, abusiva. Desprezada pelo marido, ela desconta na filha toda sua raiva e ciúmes.
Todo este sofrimento gera consequências, como a falta de auto-estima que faz Precious se esconder do mundo e encobrir, por exemplo, o fato de não saber ler ou escrever. A jovem tem uma segunda chance graças a uma assistente social (a cantora Mariah Carey, quase irreconhecível) que a encaminha para uma instituição alternativa. Na professora Blue Rain (Paula Patton), Precious encontra a força para mudar o rumo de sua história.
Preciosa é um filme de interpretações. Para quem nunca havia trabalhado numa produção cinematográfica, a protagonista Gabourey Sidibe atua de forma impressionante, conferindo visceralidade e força a sua personagem. Fazendo contraponto a ela, está a comediante Mo’Nique numa atuação espantosa. A sua Mary já garantiu um lugar de destaque na galeria dos personagens mais odiados da história do cinema. Não é a toa que as duas mulheres concorrem aos Oscars de Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante respectivamente.
Com um orçamento de apenas 10 milhões de dólares (considerado baixíssimo para os padrões hollywoodianos), o longa de Lee Daniels apresenta um visual que oscila entre o realismo que em geral associamos a este tipo de drama e a estilização que se esperaria de um videoclip. Nesse processo, o diretor faz uso intenso de planos fechados, numa espécie de linguagem documental.
Graças aos prêmios arrebatados em Sundance, Cannes, Toronto, SAG, Globo de Ouro e as seis indicações ao Oscar (inclusive Melhor Filme), Preciosa vem ganhando o reconhecimento que merece. A obra prende a atenção mesmo quando irrita e deprime, em grande parte por conta de suas inusitadas, mas eficientes escolhas de elenco. Se você é um daqueles que reclamam da (boa) vida que levam, Precious é um programa obrigatório.
Preciosa - Uma História de Esperança (Precious)
EUA 2009 - 110 min.
Direção: Lee Daniels. Roteiro: Geoffrey Fletcher.
Elenco: Gabourey Sidibe, Mo’Nique, Paula Patton, Sherri Shepherd, Mariah Carrey, Lenny Kravitz.
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A realidade dói, Roberto Vilas.
Resumo do Filme: Preciosa. Articulando o perfil dos assistentes sociais e fazendo uma observação dos programas de beneficios e assistência do governo.
Trata-se de uma adolescente de 16 anos que convive com uma família desajustada e que é aliciada sexualmente pelo próprio pai e maltratada pela mãe. Tem uma primeira criança do sexo feminino que engravidara do seu genitor. Essa criança é portadora de síndrome de Down, que é criada pela avó de Preciosa. A mãe de Claireece usa a criança para obter o benefício governamental, pago pelo “Estado”, uma vez que naquele momento não está trabalhando e “cuida da criança especial”. A mãe de Claireece é visitada pela Assistente Social do programa de assistência do governo (essa tem um perfil totalmente institucionalista, tecnicista comprometida apenas com o programa de assistência gerido pelo governo), que questiona a mãe de Claireece o porque de não estar trabalhando. Essa mente quando diz que sai a procura de emprego e não consegue por causa da criança. Desprovida de alta-estima e sem condições financeira Preciosa, pelo fato de ser negra, pobre e gorda, quase obesa, é uma pessoa excluída e quando fica gravida novamente do seu genitor e é expulsa da escola, Preciosa, evidencia essa exclusão. Mas, a direção do colégio sugere que Claireece freqüente uma escola alternativa, para que possa melhorar a sua vida. Preciosa, vive no mundo dos sonhos, talvez, seja, essa a sua fuga para sobreviver da vida degradante que leva. Uma Assistente Social, vivida por Mariah Carey (essa assistente social tem um perfil mais humanitário, comprometida em tentar resolver ou minimizar as dificuldades do usuário, procurando alternativas. A assistente social que consegue extrair de Precious sua história, suas dificuldades), encaminha a adolescente a uma escola experimental, nessa escola a adolescente encontra o carinho e a atenção da professora, que faz com que ela aos poucos recupere a dignidade. Encontra também, na assistente social o seu alicerce para continuar vivendo. Mais tarde, Preciosa, fica sabendo por sua mãe, que seu genitor foi à óbito por ser portador do vírus da aids e que ela também teria sido contaminada. Nesse momento, Claireece não aceita mais retornar a conviver com sua mãe. Portanto, é encaminhada para um “lar de convivência”, percebemos aí o programa de assistência e amparo, promovido pelo governo. O filme mostra a importância da educação, pois à medida que Claireece era alfabetizada por sua professora na escola especial, conseguia falar com a assistente social, enfrentar os problemas que tinha com a sua mãe e no final ainda conseguiu ser uma boa mãe para os seus filhos. Preciosa é uma denúncia social e humana, que mostra as más condições e as mazelas políticas e sócio-econômicas de uma sociedade capitalista excludente.
Vi o filme hoje e fiquei encantado. A capacidade de superação do ser humano é atestada em toda sua grandeza e força. Impossível não odiar a mãe de Preciosa, interpretação impecável, e é mais impossível ainda não delirar com o poder magnético da estreante que faz a protagonista. Superou todas as minhas expectativas. É inacreditável a capacidade que um ser humano tem de resistir bravamente a força que as adversidades podem adquirir. Uma garota preciosa, uma valentia sobrehumana. Um filme é uma lição contra o pessimismo e a fraqueza diante da vida. A professora faz a gente se lembrar como um ser humano pode mais depois que enxerga a si mesmo e como o carinho e a dedicação de um mestre podem mudar o mundo.
Nao gostei nem um pouco do filme que tem censura apenas de 16 anos mas mostra cenas explicitas de atos incestuosos sendo falsa a ideia passada pela critica de que o filme tenta passar alguma ideia positiva ou de progresso para a vida da personagem central - o que vemos em cena sao somente imagens degradantes, deprimentes que chegam em certos momentos a torturar a audiencia psicologicamente e lampejos de esperanca escassos diante do caos. Nao espere sorrir uma unica vez durante o filme e saia do cinema com visao mais pessimista da vida e do futuro do ser humano. O que ha de precioso nisto?
Perfeito, excelente seu texto. Não tinha curiosidade em ver o filme até ler seu texto, agora é dar um jeito rápido para ver… Abraços
achei o filme mto interessante … quase chorei quando ví o trailer !! estou loka pra ver esse filme !