Crítica: Floresta Maldita


Floresta Maldita (The Forest) é um terror que trabalha com um tema muito interessante, mas que peca ao não saber desenvolvê-lo da maneira adequada, entregando um resultado que decepciona não apenas pelo que o filme é, mas também (e principalmente) pelo que deixou de ser.

O tema em questão é a floresta de Aokigahara, que fica base noroeste do monte Fuji, no Japão, e é conhecida por ser um local onde as pessoas vão para cometerem suicídio. A trama acompanha Sara Price (Natalie Dormer), uma mulher que viaja até o local em busca da sua irmã gêmea, Jess (também interpretada por Dormer), que foi vista pela última vez adentrando a floresta. Devido a “fama” daquele lugar, a polícia não considera Jess desaparecida, apesar dos apelos da irmã que afirma ter uma ligação psíquica (isso mesmo) com ela. Cabe então a Sara, com a ajuda de um repórter australiano (Taylor Kinney) e um guia japonês (Yukiyoshi Ozawa), entrar na temível floresta e encontrar a sua irmã.

Partindo do pressuposto de que a tal floresta é recheada de espíritos vingativos – afinal tratam-se de espíritos de suicidas –, o filme explora (ou tenta explorar) essa questão sobrenatural de maneira inteligente. Aqui, a floresta e os fantasmas servem para influenciarem negativamente as pessoas que adentram aquele lugar. Assim, a floresta distorce a realidade e expõe os sentimentos ocultos dos visitantes, fazendo com que, em um acesso momentâneo de loucura, eles cometam suicídio.

Existe aí um esboço de discussão psicanalítica, com a floresta sendo quase uma manifestação do subconsciente daquele que a visita. A ideia, em si, é muito boa, e o fato de essa floresta ser real torna-a ainda mais interessante. É uma pena, porém, que o diretor Jason Zada não consiga explorar nem 10% de toda essa potencialidade, entregando-se a sustos fáceis que – graças a um roteiro canhestro – muitas vezes nem fazem sentido: é risível por exemplo quando a personagem principal chega ao seu quarto de hotel e, pouco antes de deitar-se na cama, sai de novo para o corredor, somente para tomar um susto por lá.

Igualmente problemática é a (falta de) composição de Natalie Dormer para os papeis das irmãs, que diferem-se apenas pela cor do cabelo. Pior ainda são as deslocadas tentativas de humor, que mostram Sara interagindo com os japoneses. E é no mínimo estranho que o roteiro de Nick Antosca (A Casa dos Fundos), Ben Ketai (30 Dias de Noite 2: Dias Sombrios) e Sarah Cornwell gaste tanto tempo explorando um segredo do passado da protagonista, mas não forneça as informações mais básicas sobre a mesma, como: Qual é o seu trabalho? Onde ela mora? Como a sua irmã conseguiu um emprego em Tóquio?

Apesar de o clímax apresentar uma sequência muito bem construída, isso não chega a salvar Floresta Maldita do desastre total. Curiosamente, em 2015 foram produzidos dois filmes que tem Aokigahara como tema principal. O outro, o drama The Sea of Trees, foi massacrado pela crítica e vaiado na sua exibição em Cannes. Pelo menos para o cinema recente, essa floresta parece mesmo ser amaldiçoada.

Floresta Maldita (The Forest)
Estados Unidos, 2016 – 93 min.
Direção: Jason Zada. | Roteiro: Nick Antosca, Sarah Cornwell e Ben Ketai.
Elenco: Natalie Dormer, Taylor Kinney, Eoin Macken, Stephanie Vogt, Yukiyoshi Ozawa.