Crítica: Ted 2


Uma das características que mais admiro no primeiro Ted, dirigido por Seth McFarlane, é o fato de que o diretor/roteirista consegue inserir um elemento de realismo em meio a uma história absurda. A amizade entre John Bennet (Mark Wahlberg) e Ted (dublado pelo próprio diretor), somado ao humor ácido e rápido de McFarlane, fizeram de Ted um sucesso, levando-o a uma inevitável continuação. E mesmo que produzida por uma regra mercadológica, é uma agradável surpresa que Ted 2 mantenha-se fiel à sua qualidade mais louvável, entregando novamente uma ideia absurda, exagerada, mas também (senão principalmente) humana.

Mudando o foco da narrativa – antes centrada em John – para o seu personagem-título, a trama coloca o ursinho falastrão tendo problemas com seu casamento com Tami-Lynn (Jessica Barth), desgastado depois de um ano juntos. A solução encontrada é ter um filho. E depois de descartarem a possibilidade de inseminação artificial (que gera algumas situações hilárias e nojentas), eles resolvem adotar uma criança. Isso, porém, chama a atenção do governo dos EUA, que não reconhece Ted como uma pessoa, mas sim como uma propriedade. Ted e John recorrem então ao auxílio da jovem advogada Samantha Jackson (Amanda Seyfried). Ao mesmo tempo, a fabricante Hasbro quer se aproveitar da oportunidade para tomar Ted de volta.

Apresentando um estilo cada vez mais característico – com influência da sua experiência na TV –, McFarlane opta por uma estrutura incomum, alongando as cenas mais do que seria necessário, apenas para encaixar suas piadas após o término delas, e não durante, como seria o “normal”. Momentos como a discussão sobre a origem do “F” no nome do escritor F. Scott Fitzgerald (autor de O Grande Gatsby), ou quando os personagens vão para o telhado jogar maçãs nas pessoas da rua, acontecem depois que o conteúdo narrativo propriamente dito se encerrou, surgindo como pequenas anedotas visuais que são, na verdade, a fonte do humor do diretor.

Da mesma forma, as alusões à cultura pop – outra marca do cineasta – ganham ainda mais espaço no filme, especialmente nas cenas que se passam na Comic-Con Nova York. As piadas vão desde referências populares (como a briga entre os capitães de Star Trek) até outras muito específicas, como o fato de o ator Patrick Warburton aparecer fantasiado como o protagonista da série The Tick, que ele mesmo estrelou entre 2001 e 2002 (e que vai voltar em breve). Outro momento hilário é a sequência musical em que todos os animais da floresta – e fora dela – se aproximam para ouvir a cantoria.

Apesar de não ter o aspecto de novidade do anterior, Ted 2 mantém o nível de humor e o aspecto humano da relação entre os personagens. Trata-se sim de uma repetição, mas uma repetição bem-vinda. Afinal, é sempre agradável rever bons amigos.

Ted 2 (Ted 2)
Estados Unidos, 2015 – 115 min.
Direção: Seth MacFarlane. | Roteiro: Alec Sulkin e Wellesley Wild e Seth McFarlane.
Elenco: Mark Wahlberg, Seth MacFarlane, Amanda Seyfried, Jessica Barth, Patrick Warburton.

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Daniel Medeiros é graduado em Cinema e Vídeo e formado nos cursos de Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica; e Jornalismo Cinematográfico - Crítica, Reportagem e Coberturas de Festivais. É membro da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (ABRACCINE) e pesquisador sobre cinema de terror.