Crítica: Wolverine – Imortal


O primeiro filme solo do Wolverine (intitulado X-Men Origens: Wolverine) deturpou grande parte da história do icônico herói em função de um entretenimento que simplesmente não aconteceu. Passados alguns anos, muita expectativa foi gerada em relação a esse Wolverine – Imortal, que supostamente seria algo realmente digno do personagem. Apesar de não cometer os mesmos erros do seu antecessor (como duvidar da inteligência do espectador), esse novo longa também não acerta muito mais.

Escrito por Mark Bomback (O Vingador do Futuro) e Scott Frank (Marley & Eu), o roteiro inicialmente coloca o protagonista no meio da 2ª Guerra Mundial, sendo mantido refém do exército japonês na cidade de Nagasaki pouco antes do ataque nuclear. Quando a bomba atômica atinge a cidade, Logan salva a vida do jovem soldado Yashida. Muitos anos depois, o herói vive em exílio após os eventos mostrados em X-Men 3. É quando ele é localizado pela jovem Yukio, que o leva até Tóquio para conversar com o agora velho e doente Yashida, que pode lhe conceder uma vida normal e mortal.

É claro que isso é apenas uma parte da trama, que ainda envolve a Yakusa (máfia japonesa) e um exército de ninjas. O problema, nesse caso, é que essas duas vertentes não se completam nem se complementam, sendo que uma delas serve apenas para encher o longa de sequências de ação – e é completamente descartada depois de cumprir esse propósito. O outro problema do roteiro reside na sua previsibilidade. Apesar de tentar guardar algumas “surpresas” para o terceiro ato, fica visível muito antes disso as intenções dos roteiristas, o que torna totalmente dispensável todo o suspense gerado para culminar naquele momento.

O eclético cineasta James Mangold (Encontro Explosivo) até se esforça para dar certa dinâmica ao filme, comandando-o de maneira elegante (o uso do contraluz é belíssimo), porém falta-lhe a crueza e visceralidade que são inerentes ao personagem. E ainda que tenha alguns momentos interessantes (como o desejo de morte do protagonista, representado pela imagem da finada Jean Grey), o restante do longa parece querer agradar a todos, algo que tira completamente o herói mutante da sua zona de conforto (e vê-lo falando frases de efeito como “não bata nos meus amigos” também não ajuda).

Wolverine – Imortal apenas comprova (mais uma vez) que o personagem funciona muito melhor quando trabalhar em equipe. Não por acaso, o melhor momento do filme é a cena depois dos créditos, que faz referência ao vindouro X-Men – Dias de Um Futuro Esquecido, programado para o ano que vem.

(2.5/5)
Wolverine – Imortal (The Wolverine)
Estados Unidos, 2013 – 126 min.
Direção: James Mangold. | Roteiro: Mark Bomback, Scott Frank.
Elenco: Hugh Jackman, Famke Janssen, Rila Fukushima, Hal Yamanouchi, Tao Okamoto.