Crítica: O Cavaleiro Solitário


Quinta parceria do diretor Gore Verbinski com o ator Johnny Depp, O Cavaleiro Solitário faz uma bem vinda homenagem ao gênero de western, palco de grandes clássicos e atualmente quase esquecido pelo cinema contemporâneo. Revitalizar um gênero adormecido é uma ótima ideia na teoria, o problema é que, na prática, a impressão que fica é que o diretor parece ter se preocupado tanto em cultuar um gênero admirado e acabou esquecendo-se de fazer um filme que se sustentasse por si só.

Escrito por Justin Haythe (O Acordo), Ted Elliott e Terry Rossio (ambos da franquia Piratas do Caribe), com base num herói de rádio da década de 1930, o roteiro acompanha um advogado (Armie Hammer, encarando a persona do homem bonzinho de maneira caricata) que volta para sua cidade natal visando fazer a lei sem o uso de armas (ao mesmo tempo em que o progresso também chega à cidade, no formato de trilhos de trem). Porém, quando o encontro com um temível (e carnívoro) criminoso (William Fichtner) termina de forma trágica, o herói é trazido de volta do mundo dos mortos para buscar justiça ao lado do bizarro índio Tonto (Johnny Depp, sendo novamente Johnny Depp).

As referências clássicas são vistas (e ouvidas) ao longo de toda a projeção. Desde o conceito do homem da lei em uma cidade dominada por armas (O Homem Que Matou Facínora), passando por temáticas como o poder do dono da ferrovia (Era Uma Vez no Oeste), até chegar a cenas específicas (o grilo que silencia antes de um ataque) e na reimaginação de temas musicais clássicos (todo mundo vai reconhecer a música que toca no clímax), está tudo ali.

Assim como a assustadora construção do vilão do filme, que não se contenta em matar o inimigo, mas ainda sente a necessidade de comer seu coração. Apesar do roteiro não explicar, o ato de comer carne humana (no cinema pelo menos) é entendido como um roubo da força interior do antagonista, ou, nesse caso, da sua alma. E a maneira como Verbinski mostra essa cena específica merece destaque, pois ele consegue ao mesmo tempo esconder a imagem e ainda assim torná-la mais brutal, por se tratar da visão de outra pessoa.

Mas apesar de todas as suas qualidades, o grande defeito de O Cavaleiro Solitário é não saber escolher o tom da sua narrativa. Concentrando-se nas diversas estripulias feitas por Johnny Depp, o filme parece uma mistura de western com Piratas do Caribe. Sendo esta uma franquia bilionária enquanto o outro é considerado um gênero maldito (financeiramente), fica fácil adivinhar qual temática acaba reinando no longa. Investir nas gracinhas de Depp é uma estratégia totalmente monetária, e que além de não ter dado certo nas bilheterias, ainda sacrificou aquilo que poderia ser um ótimo faroeste à moda antiga.

(2.5/5)
O Cavaleiro Solitário (The Lone Ranger)
Estados Unidos, 2013 – 149 min.
Direção: Gore Verbinski. | Roteiro: Justin Haythe, Ted Elliott e Terry Rossio.
Elenco: Johnny Depp, Armie Hammer, William Fichtner, Ruth Wilson, Tom Wilkinson.