"The Master" e "Pietá" são os grandes vencedores do Festival de Veneza


A 69ª edição do Festival de Veneza que aconteceu de 28 de agosto a 08 de setembro apostou em sexo e na cientologia para chamar à atenção. O mais antigo evento cinematográfico europeu estava perdendo espaço para Festival de Toronto – realizado no mesmo período -, então, polemizar foi a arma mais eficaz para atrair os melhores filmes e os grandes astros para seu tapete vermelho.

Desta vez, ao lado de filmes de diretores consagrados, como Terrence Malick (To The Wonder), Paul Thomas Anderson (The Master) e Brian de Palma (Passion), estavam na disputa pelo Leão de Ouro produções mais pop, como Spring Breakers, comédia estrelada por Selena Gomez e James Franco, e At Any Price, que conta com o jovem astro Zac Efron no elenco. Ao todo, 18 filmes de várias nacionalidades participavam da mostra competitiva.

O vencedor do Leão de Ouro de Melhor Filme foi Pietá, do sul-coreano Kim Ki-Duk, uma história violenta sobre um sanguinário cobrador de um agiota e uma mulher misteriosa que diz ser mãe dele. O outro grande vencedor foi The Master, de Paul Thomas Anderson, inspirado na vida de L. Ron Hubbard, fundador da Cientologia. Anderson levou o Leão de Prata de Melhor Diretor. Pelo mesmo filme, Philip Seymour Hoffman e o esquisitão Joaquin Phoenix dividiram o prêmio de Melhor Ator.

Segundo o site Hollywood Reporter, a intenção do júri – comandado pelo cineasta norte-americano Michael Mann (Fogo Contra Fogo) – era de entregar o prêmio máximo também para The Master. Porém, uma nova regra do festival que proíbe um longa de conquistar mais de duas estatuetas importantes, retirou do favorito, o cobiçado Leão de Ouro.

A israelense Hadas Yaron levou o troféu de melhor atriz por Fill the Void, filme de Rama Burshtein que fala de uma comunidade judaica ortodoxa, e o austríaco Ulrich Seidl ganhou o Prêmio Especial do Júri, por Paradise: Glaube, sobre a fé obsessiva de uma mulher – que chocou o público do evento com uma cena de sexo envolvendo um crucifixo.

Outros condecorados foram: Olivier Assayas com o Prêmio de Melhor Roteiro por Après Mai; Fabricio Falco com o Prêmio Marcello Mastroianni a um intérprete estreante e o diretor Daniele Cipri com o de Melhor Fotografia, ambos pela produção italiana Stato il Figlio. O Brasil chegou a concorrer na categoria de curtas da Mostra Orizzonti com O Afinador de Fernando Camargo e Matheus Parizi, mas não foi premiado.