Crítica: Para Sempre


Embora traga muitos elementos característicos dos best-sellers água-com-açúcar de Nicolas Sparks (Diário de Uma Paixão, Um Homem de Sorte), ou melhor, de suas apelativas adaptações para o cinema, Para Sempre, acredite, é baseado numa história verídica. O fato de o elemento fantasioso ganhar “selo” corroborativo não adianta muito, uma vez que a obra segue à risca a cartilha dos romances tipicamente hollywoodianos.

A artista plástica Paige (a graciosa Rachel McAdams, de Sherlock Holmes) e o produtor musical Leo (Channing Tatum, Querido John) vivem felizes a vida de recém-casados, até que, num desses infortúnios do destino, sofrem um grave acidente de carro. Recuperado, o marido saí ileso, mas sua esposa recobra a consciência com uma profunda amnésia, onde os últimos cinco anos de sua vida foram apagados. Além de não (re)conhecer mais Leo, seus hábitos e estilo de vida mudam completamente.

Agora, ele fará de tudo, no melhor estilo Adam Sandler em Como Se Fosse a Primeira Vez, para ajudar sua amada a recobrar as lembranças dos melhores momentos de uma vida feliz a dois. A tarefa mostra-se mais complicada do que parece, principalmente quando entram em cena o ex-noivo (interpretado por Scott Speedman, por quem Paige volta a nutrir uma paixão) e os pais milionários e inescrupulosos da moça (Sam Neill e Jessica Lange), dispostos a aproveitar da situação para afastá-la do marido “pé rapado”.

A escolha acertada de seus protagonistas é o que sustenta The Vow, uma vez que o filme não oferece nada de novo ao gênero. Nem mesmo o fato de ser inspirado no dramático episódio vivido pelo casal Kim e Krickitt Carpenter – no qual o livro homônimo serviu de base para o roteiro do longa -, ambos vitimas reais de um acidente de trânsito em 1993, acrescenta frescor a história. Uma sábia decisão do diretor estreante Michael Sucsy: evitando correr riscos e optando pelo lugar comum, ninguém poderia culpá-lo caso a fita sucumbisse nas bilheterias – a arrecadação de US$ 125 milhões nos EUA mostra o quanto este tipo de narrativa linear ainda é eficaz.

Apesar da fórmula batida, Para Sempre é um prato cheio para o público feminino, menos pela trama e mais pela presença de Channing Tatum. O jovem astro, que vem apontando sua carreira em duas direções distintas (herói de ação e galã em dramas e comédias românticas), hoje é sinônimo de bilheterias cada vez mais gordas a cada novo filme em que está presente. É bem certo que seu desempenho como ator é apenas mediano, mas não há como negar o seu carisma nas telas. Ainda mais no papel de um sujeito sensível, batalhador, condescendente, determinado a todo tipo de sacrifício pelo seu amor, pronto para ser canonizado.

A proximidade do Dia dos Namorados e as chances do romance transformar-se num “programa obrigatório” para casais comemorarem a data, não é de toda mal. Apesar da excessiva dose de sacarose, o final consegue escapar dos clichês – que agora também virou modinha, uma única reviravolta apenas no desfecho – e traz uma conclusão mais realista para o longa, fazendo jus ao mérito de ser “baseado em uma história verdadeira” nos últimos minutos. Vale uma espiadela descompromissada ao lado de sua cara metade.

(2.5/5)
Para Sempre (The Vow)
Estados Unidos, 2011 – 104 min.
Direção: Michael Sucsy. | Roteiro: Jason Katims e Abby Kohn.
Elenco: Channing Tatum, Rachel McAdams, Jessica Lange, Sam Neill, Scott Speedman.