Crítica: O Discurso do Rei

Desde que o Academia aumentou para dez o número de indicados ao Oscar de Melhor Filme, parece que agora o critério é selecionar concorrentes de gêneros distintos. Seguindo esta lógica, O Discurso do Rei é o representante da vaga “drama de época” (ocupada em 2010 por Bastardos Inglórios), num ano em que temos obras tão inovadoras quanto controversas disputando a estatueta.

A história se passa na Inglaterra dos anos 30, quando, após a morte de seu pai, George V (Michael Gambon), e da escandalosa abdicação de seu irmão, Eduardo VIII (Guy Pearce), o Duque de York (Colin Firth) é coroado Rei George VI. Bertie, para os íntimos, assume o trono com relutância, visto que durante toda a sua vida até então, sofreu de um incontrolável gagueira.

A pedido de sua dedicada esposa e futura Rainha Elizabeth (Helena Bonham-Carter), Bertie decide se sujeitar ao excêntrico tratamento do fonoaudiólogo Lionel Logue (Geoffrey Rush), um sujeito tão competente quanto intransigente. Após um começo difícil, os dois homens iniciam uma terapia pouco ortodoxa – e hilariante – criando um vínculo especial de amizade que irá se tornar vital com a proximidade da Segunda Grande Guerra.

O grande pilar deste longa dirigido por Tom Hooper (Maldito Futebol Clube) é o roteiro escrito pelo britânico David Seidler, radicado nos EUA desde os anos 1940. Seidler, que também era gago na infância, conheceu os horrores da Segunda Guerra e foi contemporâneo do Rei George VI, por quem nutria uma grande admiração. Após descobrir que sofreu do mesmo problema do monarca, inspirou-se para dar vida ao roteiro de The King’s Speech.

O mérito de David Seidler, no entanto, seriam apenas palavras ao vento, não fossem as magníficas interpretações de Colin Firth e Geoffrey Rush. A química entre os dois atores é quase visível. Firth, que já havia desempenhado um papel incrível em Direito de Amar (2009), aqui entrega outra atuação brilhante. E Rush, sempre bem à vontade, demostra muita autoconfiança sendo o responsável pelos momentos cômicos da narrativa.

O Discurso do Rei é um filme que merece ser visto e que facilmente agrada por apresentar no contexto uma história verídica. A curiosa trama serve bem ao gênero “drama de época”, conseguindo retratar com fidelidade a afetação da nobreza e a pompa tipicamente britânica. Talvez a sua única falha seja transparecer – em determinados momentos onde abusa do sentimentalismo – que foi construído para conquistar prêmios.

(4/5)

O Discurso do Rei (The King’s Speech)
Estados Unidos / Austrália / Reino Unido 2010 – 118 min.
Direção: Tom Hooper. | Roteiro: David Seidler.
Elenco: Colin Firth, Geoffrey Rush, Helena Bonham Carter, Guy Pearce, Michael Gambon.

  • Aluisio

    Parece ser realmente um bom filme especialmente pelo elenco vou querer ver.

  • Sem dúvidas o roteiro é muito bom, nos envolve e é divinamente interpretado, assim como os demais pontos técnicos. Só acho que falta algo, um plus para ele se tornar perfeito.

  • Adilson

    Acredito que será um dos booms do Oscar e parece que eles gostam dessas historias da realeza britanica. Espero a chegada do discurso.

    Ps: Quero dar uma dica do filme "O GRANDE DESAFIO, com Denzel Washington e Forest Whitaker….. (EXCELENTISSIMO..TISSIMO…TISSIMO)vALE A PENA CONFERIR e depois façam a sua colocação.

  • O filme realmente é ótimo mas,em um ano em que estavam concorrendo filmes como A Rede Social,Bravura Indômita,Cisne Negro e A Origem(que na minha opinião é o melhor de todos) dar o Oscar para esse filme é sacanagem.Concoda,Getro?

  • Kaka

    Getro, tenha um pouco mais de humildade kra; vc nao e o tal nao ok. so vc que entende tudo se liga mane.