Os 7 Enredos Básicos do Cinema


O jornalista e escritor britânico Peter Reeves escreveu um interessante artigo em seu livro The Seven Basic Plots: Why We Tell Stories onde defende a tese que os roteiros de filmes são elaborados seguindo apenas sete arquétipos básicos, inspirados nos tratados aristotélicos escritos a milhares de anos.

Confira abaixo quais são estes elementos:

Exemplos clássicos: Os Caçadores da Arca Perdida, O Senhor dos Anéis, Apocalypse Now

A história gira em torno de um protagonista central que se esforça para encontrar algo muito valioso e importante, muitas vezes distante. O herói não pode descansar até que essa tarefa tenha sido concluída. Ao longo desta jornada, ele irá enfrentar obstáculos e forças contrárias que tentarão impedi-lo de atingir seu objetivo.

Exemplos clássicos: Alice no País das Maravilhas, De Volta Para o Futuro, O Mágico de Oz

Assim como A Busca, a história gira em torno de uma viagem. Nesse tipo de trama, o herói é transportado para outro lugar e depois volta. Durante a jornada, o protagonista aprenderá coisas que irão lhe dar uma compreensão mais profunda de si mesmo e do mundo ao seu redor.

Exemplos Clássicos: Um Conto de Natal, A Bela e A Fera, O Feitiço de Áquila, O Exorcista

Neste tipo de história, o protagonista é muitas vezes submetido a algum feitiço obscuro ou instigado pelo próprio ou uma força exterior. A libertação só pode ser alcançada através de ações das forças do bem, ou através do poder redentor do amor. Outro fator característico neste arquétipo é o encarceramento dos protagonistas derivado de algo dentro de sua própria psiquê.

Exemplos Clássicos: Se Beber Não Case, Um Convidado Bem Trapalhão, Um Dia a Casa Cai

Definir o arquétipo da Comédia é problemático nos dias de hoje, o termo passou a significar simplesmente tudo o que é engraçado. Portanto, histórias construídas a partir de outros tipos de terreno básico tem sido erroneamente chamadas de comédia. Na definição clássica deste tema, os personagens são levados a um estado de confusão e trevas em que a resolução só pode acontecer quando estes fatores forem levados ao extremo.

Exemplos clássicos: Paixão de Cristo, Hamlet, A Espera de Um Milagre, A Lista de Schindler

Na tragédia aristotélica, o personagem principal é um indivíduo (geralmente de grande status), que passa por uma série de ações e decisões que involuntariamente provoca sua própria queda. Esta derrocada supostamente causa sentimentos de piedade e medo na plateia. No final há uma catarse, que é, às vezes, chamada de “purificação” da emoção.

Exemplos clássicos: Aliens, O Silêncio dos Inocentes, Drácula, Tubarão, A Hora do Pesadelo

Nas histórias de superação do monstro, o herói (ou heróis) precisa subjugar uma obscura criatura/pessoa/entidade do mal que exerce uma força maligna destrutiva sobre um lugar, pessoas ou povos.

Exemplos clássicos: Quem Quer Ser Um Milionário?, Aladdin, O Conde de Monte Cristo

Neste tema, o personagem central é aparentemente arrancado a partir do nada para a grandeza, tornando-se rico e/ou adquirindo status social único. Aqui, o herói muitas vezes alcança rápido o sucesso que é rapidamente tirado dele. Para que reconquiste esse estado, o protagonista deve derrotar um inimigo de algum tipo.

Fonte: Suite 101

  • Muito boa compilação, Getro. Todas as menções são excelentes. Abraço ::)

  • Sou de Porto Alegre
    Parabéns pelo blog.
    Sempre quando eu posso eu volto aqui.
    Abraços

  • Ainda não vi em qual das 7 alguns dos filmes brasileiros se encaixam. Tipo: "A Festa da Menina Morta" ou "A Concepção"!!

    • Em toda arte, sempre há os "transgressores". Ainda bem, né Ybson?

  • Carlos Dutra (Kal&ua

    Sempre que posso dou uma espiada em seu blog para ficar atualizado sobre a grande arte do cinema.
    Nos 80 anos do ator Sean Connery, vale uma boa apreciação da sua parte quanto a atuação deste genial artista.
    Abraços, Kalú

  • Hey, esqueceu de falar da clássica história do pai divorciado querendo se conciliar com a família em meio a um caos mundial. Guerra dos mundos, o dia depois de amanhã, 2012

    • Olá, Bernardo. Este tipo de enredo não seria uma mistura dos arquétipos Tragédia e Renascimento?

  • old rocker

    Interessantíssimo esse post Getro, vou adicinar seu blog aos meus favorítos. Sou um cara chato para assistir filmes e acho importante esse tipo de esclarescimento da parte de quem tem conhecimento mais profundo sobre cinema. Como havia dito que sou chato no assunto, resalto que o post se trata de produçoes norte-americanas em sua maioria, por causa destes clichÊs e paradigmas torço o nariz para conseguir ver certos filmes, por isso me encontro em uma fase, vamos dizer assim ''cult'' onde se valoriza grandes idéias e uma cÂmera na mão com produções de baixo orçamento e de nacionalidades distintas de EUA ou Europa. Se puder postar material relacionado a isso será de grande valia até por que no Brasil essas obras são uma raridade, pelo menos aqui em BH não há locadoras de filmes dessa categoria e a única sala de exibição fiel que havia baixou as portas,isso, claro também se for de seu agrado. Obrigado.

    • Ok, "Old Rocker". O site vai passar por uma grande reformulação em setembro e suas sugestões já foram anotadas! Grato.

  • pobos

    No cinema usa-se a clássica Jornada do Heroi que engloba tudo isso que foi falado. Procurem no google sobre a jornada do heroi e vcs vão ver que quase todos os filmes são assim.

  • Leo

    E as historias super criativas dos romances? Onde sempre² o casal é feliz pra sempre?

  • Bruno Oliveira

    Fácil e repetitivo… Prove!! escreva um filme e faça sucesso…

    ¬¬

  • Amanda

    A mini-novela/ micro-serie/me$&% de malhação usa essa receita a 10 anos.