Crítica: [REC]² Possuídos

A Espanha tomou de assalto o gênero horror em 2007 quando [REC] foi lançado. Mesmo bebendo na mesma fonte dos filmes de zumbis dos últimos anos (Extermínio, Madrugada dos Mortos), o longa dirigido por Jaume Balagueró e Paco Plaza, foi uma agradável surpresa por mesclar terror de primeira qualidade com boas cenas claustrofóbicas, além de utilizar de forma criativa a velha ideia da narrativa metalinguística.

[REC]² Possuídos infelizmente sofre do “mal das continuações” onde sequências se vêem na obrigação de explicar o original e hiberbolizar o conteúdo (leia-se sangue, violência, correrias). O resultado não é menos que decepcionante. O enredo começa exatamente 15 minutos após o término do primeiro, quando um esquadrão tático do exército (equipado com câmeras de video em seus capacetes), além de um médico, entra no edificio onde a suposta infecção aconteceu.

Dentro do lugar, o roteiro dá sua primeira guinada absurda: o tal médico revela-se um padre, tira uma cruz do bolso e começa a expulsar o demônio de tudo quanto é morto-vivo que aparece. A trama segue com infectados, que agora são tratados como possuídos. Neste meio tempo, o grupo encontra crianças endemoniadas, sangue que pega fogo e literalmente o diabo a quatro, sem o fraco script se decidir qual subgênero ele deve trilhar (zumbis ou possessões?).

Lá pela metade, outra forçação de barra acontece quando três adolescentes (e uma câmera) conseguem furar o bloqueio policial e entrar no lugar. As sequências de ação agora misturam os vídeos captados pelos capacetes dos policiais com a filmadora dos moleques. Ah, vale salientar que até o equipamento do primeiro longa é encontrado e utilizado, o que significa novas cenas com visão noturna. Nem mesmo toda esta “criatividade” na hora de mesclar as imagens torna o longa mais interessante.

A atmosfera de suspense que rondava o prédio mais sombrio de Madri se dissipou. Certo, o fator surpresa do filme de 2007 é incontornável, mas custava um pouco mais de cuidado com o roteiro? O que funcionou no [REC] original já não tem o mesmo efeito e as mudanças foram para pior. Até mesmo os fãs do gênero vão se sentir logrados com esta continuação caça-níqueis.

O fraco desempenho do horror espanhol nas bilheterias internacionais não impediu os diretores/roteiristas/mercenários Jaume Balagueró e Paco Plaza de prosseguirem com sua franquia. [REC]³ Genesis já foi anunciado e segundo os realizadores, a ação vai se passar fora do edificio. Não espante se desta vez os caras resolverem enfiar alienigenas malvados na história.

[REC]² Possuídos (REC²)
Espanha 2009 - 85 min.
Direção: Jaume Balagueró e Paco Plaza. Roteiro: Manu Díez, Jaume Balagueró e Paco Plaza.
Elenco: Manuela Velasco, Ferran Terraza, Óscar Zafra, Pep Molina, Ariel Casas, Jonathan Mellor.

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A Guerra de Papelão

Quando tecnologias antes disponíveis apenas para um grupo restrito de usuários cai na mão de uma turma de jovens inteligentes e ociosos. o que acontece? Cardboard Warfare! Este divertido video cheio de efeitos especiais produzido pela galeriinha da CBE Films é capaz de ruborizar muitos cineastas de araque que andam por aí. Ação, sangue, explosões e muitos tiros disparados por poderosíssimas armas feitas de… papelão! Assista:

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Ryan Reynolds é Enterrado Vivo!

Antes de entrar no set de Lanterna Verde, o astro Ryan Reynolds encontrou tempo para protagonizar o suspense indie Buried, dirigido pelo espanhol Rodrigo Côrtes.

Na sufocante história, Reynolds interpreta Paul Conroy, um motorista de caminhão a serviço de uma empreiteira no Iraque. Após um ataque de um grupo rebelde, ele desperta dentro de um caixão a dois metros abaixo da terra, sem saber como foi parar ali. Enterrado apenas com um celular, um isqueiro e um pequeno canivete, Paul tem apenas 90 minutos para conseguir que paguem seu resgate e escapar desta claustrofóbica armadilha.

O thriller escrito por Chris Sparling ainda conta com Robert Paterson, Stephen Tobolowsky, José Luis García e Samantha Mathis no elenco. Assista abaixo a prévia legendada:

Repare que em 1:02min, uma voz ao telefone diz: “O video do seu sequestro já teve mais de 45 mil acessos no Youtube”. O video a qual o sujeito se refere é este aqui, o primeiro teaser divulgado pela Lionsgate.

Enterrado Vivo que estreia em 24 de setembro nos Estados Unidos, será lançado no Brasil pela California Filmes em 1º de outubro.

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Linha do Tempo dos Filmes Futuristas

O cartunista norte-americano Dan Meth criou um gráfico bem interessante para aqueles que gostam de ficção científica futurista. O sujeito organizou alguns filmes do gênero de acordo com o ano em que suas tramas se desenrolam. É interessante ver que o “futuro” de alguns longas já não é tão distante (e alguns até já fazem parte do nosso passado):

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Joaquin Phoenix: farsante ou louco varrido?

joaquin

Em fevereiro de 2009, o ator Joaquin Phoenix deu ao apresentador David Letterman uma bizarra entrevista que deixaria Andy Kaufman com inveja. Entre uma frase reticente e outra, o ator disse que estava abandonando o cinema para se dedicar à sua carreira musical. Na ocasião, ninguém levou o sujeito à sério e todos acreditaram tratar-se de uma brincadeira.

Em outubro do ano passado saiu a noticia que o sujeito estava se arriscando como rapper em um álbum de hip-hop produzido por Sean “Diddy” Combs e suas “apresentações” em Las Vegas seriam documentadas pelo amigo e cunhado Casey Affleck, ator de O Assassinato de Jesse James, para um possível filme.

Em maio deste ano, o resultado destas filmagens foram exibidas no Festival de Cannes, chocando a todos e colocando em dúvida a sanidade de Phoenix: O ator aparece cheirando cocaína, telefonando para prostitutas, em uma cena de sexo oral com uma assessora, ameaçando seus assistentes e cantando rap - muito mal. Cenas de nudez frontal masculina são frequentes e uma das sequências mais absurdas mostra um desafeto de Joaquin defecando sobre ele enquanto o protagonista dorme.

A Magnólia Pictures, distribuidora do documentário, divulgou na semana passada um teaser desta “pérola”, obviamente sem nenhuma das maluquices citadas acima. Confira:

Até o momento não há qualquer certeza se tudo não passa de uma farsa ultra-elaborada ou o registro de alguém descontrolado. I’m Still Here: The Lost Year of Joaquin Phoenix estreia nos EUA em 10 de setembro. No Brasil não há previsão de lançamento.

Fonte: Omelete

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Crítica: Par Perfeito

No intuito de cativar o público masculino para um gênero diferente e manter o interesse da fatia de mercado feminina, Hollywood investiu massivamente no sub-subgênero “comédias românticas de ação”. Assim como Caçador de Recompensas e Encontro Explosivo, Par Perfeito faz parte desta leva que invadiu os cinemas este ano. O desempenho decepcionante nas bilheterias estadunidenses (semelhante aos demais citados), comprova que o tempo em que apenas “rostinhos bonitos” eram garantia de retorno financeiro já passou.

As comédias que Ashton Kutcher e Katherine Heigl têm protagonizado nos últimos anos não são um exemplo de excelência ou de criatividade, no entanto, bem menos enfadonhas e vazias do que este Killers. O pior é que o longa até começa interessante, com a história usando a maravilhosa Cote-d’azur como cenário, para depois descambar num enredo pouco convincente ou interessante.

Heigl, pela enésima vez no papel de loira desajeitada, faz Jen, uma solteirona em viagem de férias ao sul da França que conhece Spencer (Kutcher), um jovem galanteador, educado e inteligente. Os dois acabam se apaixonando, mas o que a bela não imagina é que o sujeito é um matador de aluguel, contratado pelo governo.

Três anos depois, eles estão casados e vivendo num típico subúrbio norte-americano. A paz acaba quando Spencer descobre que está com a cabeça à prêmio. A partir daí, o longa se transforma num corre-corre de vida ou morte, onde os assassinos podem ser qualquer pessoa: amigos, vizinhos, colegas de trabalho, o caixa do supermercado e até você que está revoltado por ter gasto seu rico dinheirinho para assistir esta bobagem.

A fórmula narrativa utilizada não é nenhuma novidade (mulher encontra espião, espião apaixona-se e não revela identidade, espião e mulher ficam juntos, pessoas tentam matar o espião) mas já rendeu frutos melhores como Sr. & Sra. Smith (2005) e o recente Uma Noite Fora de Série. Aqui, o roteiro insosso de Bob DeRosa e Ted Griffin e a direção frouxa de Robert Luketic (A Verdade Nua e Crua, A Sogra) não conseguem livrar o filme da mediocridade.

Par Perfeito (Killers)
Estados Unidos 2010 - 93 min.
Direção: Robert Luketic. Roteiro: Bob DeRosa e Ted Griffin.
Elenco: Ashton Kutcher, Katherine Heigl, Tom Selleck, Catherine O’Hara, Katheryn Winnick.

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Crítica: Karatê Kid

Karate Kid, enorme sucesso na década de 1980, volta as telas neste remake rejuvenescido que transfere a ação da América do Norte para a China. Na história, o jovem Dre (Jaden Smith) muda-se com sua mãe (Taraji P. Henson) para Pequim. Os motivos não ficam muito explícitos, mas o fato é que, ao chegar no novo continente, o garoto se vê completamente perdido. Além do choque cultural, um problema ainda maior surge quando ele começa sofrer bullying de um grupo de moleques que não quer vê-lo perto de uma bela chinesinha.

Sem amigos na nova cidade, Dre não tem a quem recorrer exceto o zelador do seu prédio, Mr. Han (Jackie Chan), que é secretamente um mestre do kung fu. Depois de salvá-lo de uma surra, o recluso sujeito resolve tornar-se seu mentor e iniciá-lo na arte marcial. À medida que Han ensina Dre o kung fu, o garoto vai aprendendo o que é necessário para sobreviver do outro lado do mundo.

O roteiro escrito por Christopher Murphey e Robert Mark Kamen demora para entrar nos eixos (o longa tem 2h20min de duração!), e não traz nada de novo em relação ao original. Mas isso não quer dizer que o filme não tenha seus méritos. Além de atualizar a história, somos brindados com uma bela direção de arte, fotografia e uma trilha sonora agradável e diversificada - mesmo com a ausência do Peter Cetera.

O elenco coadjuvante é mediano. Já o protagonista mirim Jaden Smith, que se submeteu a um intenso treinamento físico antes do inicio das filmagens, demonstra que leva jeito para o oficio, e talvez agora possa caminhar com as próprias pernas livrando-se do estigma de ser conhecido como “o filho de Will Smith” (que produz a obra ao lado da esposa, Jada Pinkett Smith). Jackie Chan não tem o carisma do Sr. Miyagi (Noriyuki “Pat” Morita) mas também não faz feio, num papel dramático que exige pouco de suas habilidades acrobáticas.

A bilheteria norte-americana já ultrapassou os U$ 170 milhões apesar da refilmagem ter deixado o público e a crítica divididos. Enquanto alguns reclamavam da idade do aprendiz (no original, Ralph Macchio tinha 17; Jaden tem apenas 12 anos), outros acusavam o título de absurdo, uma vez que a trama gira em torno do kung-fu e não do karatê.

Bom, sem aprofundar muito no assunto e viajando na “maionese”, segundo a doutrina, o Karatê é “um processo de auto-conhecimento e de investimento no crescimento pessoal”, o que tem tudo a ver com o espírito do filme. No trailer, uma única referência aparece, quando o menino tenta defender-se de um ataque com seu pouco conhecimento dessa arte marcial japonesa, e é chamado pelos agressores de “Karate Kid”. Com a ideia, o diretor Harald Zwart (A Pantera Cor-de-Rosa 2) quis homenagear o filme de 1984, mas estranhamente o trecho não aparece na montagem final.

Quanto a idade do ator, uma simples matemática marketeira explica a mundança: Quem tinha entre 15 e 17 anos na época em que o primeiro Karate Kid foi lançado, atualmente está com mais de 40 e, provavelmente, já é um pai/mãe de familia com filhos na faixa etária dos 10 a 12. Ou seja, o público alvo do longa são estes adultos (e não os adolescentes barulhentos), que vão ter no drama uma boa oportunidade para acompanhar suas crias ao cinema.

Apesar de algumas poucas derrapagens e sua duração excessiva, o remake funciona como ótimo programa para uma “sessão da tarde”. Assim como o clássico oitentista, Karate Kid traz reflexões e demonstra muito bem os valores da amizade, respeito, disciplina, honra, perseverança, … artigos de luxo dificeis de encontrar nos filmes juvenis atuais.

Karate Kid (The Karate Kid)
Estados Unidos/China 2010 - 140 min.
Direção: Harald Zwart. Roteiro: Christopher Murphey e Mark Kamen.
Elenco: Jaden Smith, Jackie Chan, Taraji P. Henson, Wenwen Han, Rongguang Yu.

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Os 7 Enredos Básicos do Cinema

O jornalista e escritor britânico Peter Reeves escreveu um interessante artigo em seu livro The Seven Basic Plots: Why We Tell Stories onde defende a tese que os roteiros de filmes são elaborados seguindo apenas sete arquétipos básicos, inspirados nos tratados aristotélicos escritos a milhares de anos.

Confira abaixo quais são estes elementos:

Exemplos clássicos: Os Caçadores da Arca Perdida, O Senhor dos Anéis, Apocalypse Now

A história gira em torno de um protagonista central que se esforça para encontrar algo muito valioso e importante, muitas vezes distante. O herói não pode descansar até que essa tarefa tenha sido concluída. Ao longo desta jornada, ele irá enfrentar obstáculos e forças contrárias que tentarão impedi-lo de atingir seu objetivo.

Exemplos clássicos: Alice no País das Maravilhas, De Volta Para o Futuro, O Mágico de Oz

Assim como A Busca, a história gira em torno de uma viagem. Nesse tipo de trama, o herói é transportado para outro lugar e depois volta. Durante a jornada, o protagonista aprenderá coisas que irão lhe dar uma compreensão mais profunda de si mesmo e do mundo ao seu redor.

Exemplos Clássicos: Um Conto de Natal, A Bela e A Fera, O Feitiço de Áquila, O Exorcista

Neste tipo de história, o protagonista é muitas vezes submetido a algum feitiço obscuro ou instigado pelo próprio ou uma força exterior. A libertação só pode ser alcançada através de ações das forças do bem, ou através do poder redentor do amor. Outro fator característico neste arquétipo é o encarceramento dos protagonistas derivado de algo dentro de sua própria psiquê.

Exemplos Clássicos: Se Beber Não Case, Um Convidado Bem Trapalhão, Um Dia a Casa Cai

Definir o arquétipo da Comédia é problemático nos dias de hoje, o termo passou a significar simplesmente tudo o que é engraçado. Portanto, histórias construídas a partir de outros tipos de terreno básico tem sido erroneamente chamadas de comédia. Na definição clássica deste tema, os personagens são levados a um estado de confusão e trevas em que a resolução só pode acontecer quando estes fatores forem levados ao extremo.

Exemplos clássicos: Paixão de Cristo, Hamlet, A Espera de Um Milagre, A Lista de Schindler

Na tragédia aristotélica, o personagem principal é um indivíduo (geralmente de grande status), que passa por uma série de ações e decisões que involuntariamente provoca sua própria queda. Esta derrocada supostamente causa sentimentos de piedade e medo na plateia. No final há uma catarse, que é, às vezes, chamada de “purificação” da emoção.

Exemplos clássicos: Aliens, O Silêncio dos Inocentes, Drácula, Tubarão, A Hora do Pesadelo

Nas histórias de superação do monstro, o herói (ou heróis) precisa subjugar uma obscura criatura/pessoa/entidade do mal que exerce uma força maligna destrutiva sobre um lugar, pessoas ou povos.

Exemplos clássicos: Quem Quer Ser Um Milionário?, Aladdin, O Conde de Monte Cristo

Neste tema, o personagem central é aparentemente arrancado a partir do nada para a grandeza, tornando-se rico e/ou adquirindo status social único. Aqui, o herói muitas vezes alcança rápido o sucesso que é rapidamente tirado dele. Para que reconquiste esse estado, o protagonista deve derrotar um inimigo de algum tipo.

Fonte: Suite 101

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