Crítica: A Forca

Acredito que, na história recente do cinema de terror, A Forca foi o filme que teve a campanha publicitária mais forte desde A Bruxa de Blair. Digo isso porque ambos os longas tiveram campanhas extremamente bem sucedidas, que apostavam na atração que o medo causava no espectador – A Bruxa de Blair com a ideia do realismo e A Forca com o desafio “Charlie Charlie Challenge”. A grande diferença entre os dois é que enquanto o primeiro entregava um produto condizente com aquilo que sua campanha vendia (muita gente acreditou naquilo devido ao realismo das imagens), o segundo passa a impressão de uma propaganda enganosa.

Aliás, o que mais me surpreendeu na campanha deste filme não foi nem o desafio Charlie Charlie (que também enganou muita gente), mas sim o seu primeiro teaser divulgado, em que uma garota é vista chorando em meio a um ambiente vermelho, de onde surge uma sinistra aparição no canto da tela. O pequeno vídeo apresentava uma ambientação sombria, tensa, claustrofóbica e assustadora, características essas que não se mantêm no restante do longa, cuja trama acompanha um grupo de estudantes montando um espetáculo escolar que, 20 anos antes, custou a vida do seu protagonista, o tal Charlie do desafio. Na noite antes da estreia, quatro desses jovens ficam presos no teatro da escola, e são perseguidos pelo fantasma de Charlie, determinado a desempenhar o seu papel de carrasco do espetáculo.

Outra semelhança entre A Forca e A Bruxa de Blair é que ambos se utilizam do formato de found footage – que Blair ajudou a popularizar e aqui aponta para o seu desgaste. Esse “subgênero” tem suas vantagens e desvantagens. A vantagem é que a visão limitada da câmera na mão e a ausência (ou quase) de planos gerais auxiliam os cineastas a criarem suspense através da omissão de informações, investindo muito mais no som do que na imagem em si – uma mentira que o cinema ajudou a criar, afinal o som captado direto da câmera não é tão nítido quanto o que ouvimos nesses filmes. A desvantagem é que a limitação do formato impede um grande desenvolvimento dos personagens, e consequentemente afasta o público, que fica mais interessado no próximo susto do que na trajetória daquelas pessoas.

Ambos os casos mencionados acima acontecem aqui. O design de som é impecável, investindo em ruídos, passos e, é claro, gritos; e a ambientação vermelha das luzes de emergência dá um clima de urgência. Mas os personagens não passam de caricaturas unidimensionais: o atleta de bom coração, o amigo falastrão, a cheerleader e a garota certinha. Além do mais, o roteiro dos diretores Travis Cluff e Chris Lofing investe em situações gratuitas e inverossímeis: demonstrações sobrenaturais são apresentadas para a câmera e não para os personagens (uma incongruência, se tratando de uma narrativa realista); a “motivação” do fantasma é revelada num vídeo autoexplicativo; os quatro jovens, mesmo equipados com ferramentas, não são capazes de desmontar uma porta trancada, optando, em vez disso, por tentarem fugir pelo duto de ar; e por fim, quando paramos para pensar melhor, as reviravoltas do terceiro ato não se sustentam muito bem.

E por mais que ainda tenha alguns bons momentos, na maior parte do tempo A Forca se esforça demais para dar sustos fáceis no espectador, evitando o suspense que levaria ao medo – uma lição que Cluff e Lofing parecem não ter aprendido com A Bruxa de Blair. Ao final, o que se tem aqui é um filme tão mediano quanto a maioria dos longas de terror comercial lançados recentemente. A única diferença é que ele teve uma excelente campanha publicitária.

A Forca (The Gallows)
Estados Unidos, 2015 – 81 min.
Direção e Roteiro: Travis Cluff e Chris Lofing.
Elenco: Reese Mishler, Pfeifer Brown, Ryan Shoos, Cassidy Gifford, Travis Cluff, Price T. Morgan

  • Wanessa Oliveira

    Só li verdades!! Fui convidada para a pré-estreia e achei o filme fraco para a expectativa que criei em cima da publicidade.