Segundo estudo, violência nos filmes triplicou nos últimos 30 anos


Scarface

Uma pesquisa realizada pela revista médica norte-americana Pediatrics revelou que a exacerbação da violência em filmes aumentou consideravelmente nas últimas três décadas. O estudo, realizado por especialistas americanos e holandeses da Annenberg Public Policy Center e da Universidade Estadual de Ohio, demonstrou que a violência com armas de fogo triplicou desde 1985 – em filmes americanos com classificação acima de 13 anos.

Segundo os pesquisadores, só em 2012, longas-metragens com o selo PG-13, que nos Estados Unidos indica que a produção não deve ser vista por crianças com menos de 13 anos de idade, apresentaram mais cenas de violência envolvendo armamentos do que as fitas “Rated R”, recomendadas para maiores de 17 anos.

A pesquisa analisou a quantidade de violência com armas mostrada em 945 filmes de 1950 a 2012 – todos de uma lista dos 30 filmes mais assistidos de cada ano. Segundo o estudo, os personagens usam armas para matar pessoas de maneira mais frequente nas décadas mais recentes. Entre os filmes PG-13 recentes analisados e considerados como tendo “muita violência com armas” estão Batman – O Cavaleiro das Trevas, Capitão América: O Primeiro Vingador, A Origem, Transformers: O Lado Oculto da Lua e Os Vingadores.

Pulp Fiction

A censura PG-13 é a preferida dos grandes estúdios norte-americanos, pois permite que os adolescentes compareçam em massa aos cinemas. Em 2012, sete dos dez filmes de maior bilheteria tinham essa classificação. O selo etário foi criado em 1984 por causa de Gremlins e Indiana Jones e o Templo da Perdição, considerados fortes demais para entrarem na categoria PG, liberada para todas as idades com a presença de responsáveis.

Os pesquisadores acreditam que assistir um conteúdo violento possa aumentar a propensão dos menores a terem condutas mais agressivas. “Nós não estabelecemos uma conexão direta com o aumento de tiroteios em escolas e outros locais públicos, mas o aumento de violência armada em filmes certamente coincide com esses eventos”, afirmou Daniel Romer, um dos coautores do estudo e diretor do Instituto de Comunicação Adolescente da Universidade da Pensilvânia.

“É chocante como o uso de armas disparou em filmes que são frequentemente direcionados ao público adolescente”, disse Brad Bushman, também coautor do estudo e professor de comunicação e psicologia na Universidade Estadual de Ohio. “Parece que as cenas de sexo resultam mais em classificações para adultos do que cenas de violência”, completou.

Fonte: UOL Cinema