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Crítica: João e Maria – Caçadores de Bruxas


É fato que versões adultas de contos de fadas tem se tornado uma opção fácil e (as vezes) rentável para os estúdios cinematográficos. Basta ver a quantidade de títulos que foram lançados nos últimos anos (A Garota da Capa Vermelha, Espelho, Espelho Meu, Branca de Neve e o Caçador) para perceber como o mercado se mostra aberto para esse tipo de reimaginação. Mas por mais que se explore a todo custo, e de todas as maneiras, esses personagens clássicos, a verdade é que nenhuma dessas adaptações entregou um resultado sequer satisfatório. Concebido como uma espécie de continuação do conto dos irmãos Grimm, João e Maria: Caçadores de Bruxas é o melhor exemplar dessa nova roupagem dos contos de fadas, ainda que possa não parecer significar muita coisa.

O roteiro, escrito por Tommy Wirkola (que também dirige o longa) em parceria com Dante Harper, foca nos eventos que se sucederam à história dos irmãos perdidos na floresta e do seu encontro com a bruxa que mora numa casa feita de doces. Depois de eliminarem a feiticeira do mal, João (Jeremy Renner, bastante carismático) e Maria (Gemma Arterton, bela), agora adultos, tornaram-se conhecidos caçadores de bruxas. E quando diversas crianças de uma pequena vila são raptadas, o prefeito chama a dupla para revolver o caso. O problema é que a ameaça que assola aquele lugar – na forma da temível Muriel (Famke Janssen) – é algo muito maior do que eles antecipavam.

Apresentando um prólogo bastante sombrio, Wirkola acerta ao investir no humor como temática central da sua narrativa. Por mais que não seja necessariamente uma comédia, o fato do filme contar com uma infinidade de incongruências históricas (jaquetas de couro, metralhadoras, granadas e até uma vitrola) apenas reforça a ideia de que esse não é um projeto que deva ser levado a sério – o que fica mais evidente no tom propositalmente exagerado utilizado pelo diretor, principalmente em relação à violência.

E dentro desse universo bizarro/hilário, não deixa ser uma saída interessante o roteiro colocar seus protagonistas imunes aos feitiços inimigos apenas para usar isso como justificativa para que eles saiam no braço com as criaturas do mal (a cena da bruxa lutando com uma pá é impagável). Da mesma maneira, é notável que em meio a toda essa atualização do conto original, alguns elementos clássicos permaneçam intactos, como as feições deformadas das bruxas (algumas delas pelo menos) ou o uso de vassouras e varinhas.

Entretanto, se Wirkola consegue divertir e entreter o espectador durante boa parte da projeção, ele arrisca colocar tudo isso a perder no seu problemático terceiro ato, onde investe em reviravoltas completamente previsíveis (envolvendo os segredos de uma personagem secundária), soluções um tanto preguiçosas (um livro de contrafeitiços que, até se tornar necessário, nem sequer havia sido mencionado) e um clímax bastante precipitado (a tal da Lua vermelha dura cinco minutos). Ainda assim, perceber que o maior trauma que os irmãos carregam em relação aos acontecimentos na casa de doces (algo que é inclusive reforçado na narração de Jeremy Renner) é o fato de João ter ficado diabético, já vale o ingresso.


João e Maria – Caçadores de Bruxa (Hansel & Gretel – Witch Hunters)
EUA / Alemanha, 2013 – 88 min.
Direção: Tommy Wirkola. | Roteiro: Dante Harper e Tommy Wirkola.
Elenco: Jeremy Renner, Gemma Arterton, Peter Stormare, Famke Janssen, Thomas Mann.

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17 Comentários

  1. O filme foi de 0 a dez realmente merece um quatro e meio, foi razoavelmente interessante … ou seja deu pra ficar assistindo, mas não chegou a lugar nenhum e veio do nada ou seja, quase como uma propaganda que se olha mas não se tira muito conteúdo se não se tem real interesse pelo produto… =P

  2. Eu adorei. Sabe porque as pessoas criticam a presença de bazucas e jaquetas e tudo mais? Porque não entenderam que o filme é de ficção. FICÇÃO! Pelo amor de Deus, filme de ficção usam e abusam de coisas que NÃO SÃO REAIS.

  3. E eu achando que me levo muito a sério… Agora comentando sobre que vim comentar. Adorei a crítica, apesar de (quase) sempre achar que vocês economizam nas estrelas, o texto está super coerente, aponta as falhas (“humanamente”) perceptíveis, mas entende a intenção, que é a de divertir e, finaliza com o que interessa, vale o ingresso.

  4. Nos-sa-se-nho-ra-da-a-pa-re-ci-da… vcs pensam muito na hora de ver um filme desses. Um balde de pipoca, um suco e uma companhia é tudo o que eu preciso. Amei o filme a adaptação, as improvisações, a doença do João… Affs fala sério, entretenimento minha gente, comédia que me faz rir, drama que me faz chorar, terror que me faz tomar susto… Sou engenheira, a última coisa que quero no cinema é ficar analisando as a montagem dos equipamentos, a lógica das construções, fala sério. Até entendo que tem filme que dá esta abertura, sério o suficiente, focado em história, doença etecetera… mas não é este o caso, o trailer mostra exatamente o que o filme é, a critica fala exatamente o que o filme é, não é um filme preocupado em discorrer o traçado clássico da história de Joao e Maria, muito menos os tipos de diabetes, acham mesmo que uma criança ou um pai responsável vai reger seus hábitos alimentares com base neste filme? Misericórdia. Sem contar que se for olhar pelo lado positivo, um leigo no máximo vai querer reduzir doce, qual o desserviço nisso???? Enfim… é filme para divertir, e neste ponto 5 estrelas na minha opinião, sai do cinema com um sorriso no rosto e querendo mais.

  5. Eu gostei do filme, mesmo não tendo sido aquilo que eu esperava.
    Foi muito mais violento (muitas partes totalmente desnecessárias) do que eu imaginava.
    No entanto, isso de jaquetas de couro, metralhadoras e etc, não atrapalham nem um pouco o filme, na minha opinião.
    A história é um pouco forçada e principalmente preguiçosa em varias cenas e decisões dos personagens, e o roteiro é um tanto fraco em questão de mostrar o 'quão foda' os dois são.
    Realmente o climax foi totalmente improvisado e apreçado. E uma coisa que eu não entendi era: se a poção, ou sei lá o que que as bruxas estavam preparando só as protegeria do fogo, o que adiantaria aquilo contra as novas armas abençoadas de João?
    Realmente não é um filme para ser levado a sério, no entanto vale sim o ingresso.
    Os efeitos 3D não são nem horríveis ou ótimos, estão na minha expectativa de 2013.
    Bem, é isso.

  6. Em um país que dá audiência a novelas como Salve Jorge e Avenida Brasil, não deveriam opinar em nada. To Achando o maximo essas novas adaptações de contos de fadas mais adultos. E por mais que tenham furos, não seria um filme de ficção.

  7. Como assim João ter ficado diabético por ter comido muitos doces quando criança????? Que absurdo é este, antes de escrever um filme assim, deveria estudar um pouco mais sobre a doença. Isto chega a ser um desrespeito com os diabéticos.

    • Certíssima, Carla. O filme pode ser excelente, mas perdeu a grande chance de não se meter onde não domina o assunto: diabetes.

      10% da população brasileira tem diabetes. 90% desses são diabéticos do tipo 2. Uma doença adquirida através de maus hábitos alimentares, sedentarismo, obesidade e fatores genéticos.

      Os outros 10% de diabéticos é do tipo 1, decorrentes de uma desordem no sistema imunológico (doença autoimune) que agride as células-beta do pâncreas extinguindo a função de produzir insulina.

      Assim sendo, foi da maior estupidez determinar que João é diabético porque comia muitos doces quando era criança. Um conceito baseado na mais pura ignorância que qualquer busca mais fajuta no Google eliminaria. Um desserviço à população.

      Comer muitos doces causaria um 'barrigão' ao João e dentes cariados. No máximo.

      Chance perdida de um entretenimento ser também informativo.

  8. Gostei do fime, pro que se propôs achei bastante divertido. Tem umas coisas meio loucas, como uma vitrola, armas que dão choque, pelo jeito João e Maria estavam bem a frente do seu tempo, mas é um filme comercial, não um filme para concorrer ao oscar, dessas adaptações que estão surgindo achei o mais bacana. Concordo que o filme remete aos filmes de terror dos anos 80, que por sinal eram ótimos, fiquei meio nostálgico. O filme vale o preço do ingresso, prende a atenção, tem falhas sim, mas que passam batido diante das cenas rápidas. Quem gosta de filmes cabeça, perfeitos, sem falhas no roteiro não adianta querer ver um filme deste gênero e achar que tudo será perfeito, a intenção do filme é apenas divertir e ganhar dinheiro, claro.

  9. Assisti ao filme João e Maria. Adorei, as armas, roupas e o Q de Matrix…

    Erros muitos filmes tem, nem por isso são ruins, as bruxas eram feias de doer, muito bacana a maquiagem!

    Foi o unico que se aproximou dos contos sombrios dos Grimm, Conheço todos, no Sul do Brasil crescemos com esses contos tenebrosos contados por nossas avós. Não recomendo para menores de 17 anos, tem cena de suicídio, corpos sendo multilados em armadinhas etc. No mais, adorei nota 10…

  10. Eu gostei. Tem algo legal no filme que remete à clássicos do terror da década de 80 : a forma rápida e ágil como as bruxas lutam, o humor bizarro e as tecnoligas anacrônicas, o livro de magia, uso de armamento pesado para matar seres sobrenaturais, a cabana no meio da floresta, inimigos carismáticos e sua maquiagem . Em especial, um grande sucesso dos anos 80 parece que foi inspiração determinante para o diretor ou autor desse filme: "Uma Noite Alucinante". Outro hit da mesma época que parece ter sido fonte é " A Hora do Espanto II". A cena da "maldição da fome rastejante" parece ter saído de lá. Pra quem foi rato de cinema na década de 80, assim como eu, é um prato cheio, uma bocado de diversão rechado com uma nostalgia subliminar que só quem viveu sabe identificar.
    Agora, se quer um filme impecável em roteiro, história e sério , vá assistir algum europeu com White Ribon ou Asas do Desejo , que aliás, são ótimos.

  11. Gostei da crítica Daniel, mas odiei o filme.
    Concordo com o que vc disse sobre não ser um filme para ser levado a sério. Mas estamos na era de adaptações de contos de fadas (ainda bem. não aguentava mais as HQs) mas não é porque é um assunto que ta em alta e rendendo boas quantias de $$$$ para Hollywood, que os diretores não precisam prestar atenção a detalhes importantes.
    O roterio é fraco, cheio de falhas e cenas (muitas cenas) desnecessárias.
    Ex.??

    1- São 5 (cansativos) minutos de introdução logo no começo do filme mostrando o quanto os irmãos se tornaram famosos por terem sobrevividos a uma bruxa na infancia e agora se tornarem caçadores de bruxas e mesmo assim, quando o prefeito da cidade aonde eles moraram, os contratam, eles precisam se apresentar diante do povo. Já que ninguém os conhecia. E pouco depois uma cena com um aspirante a caçador mostrando um diário pessoal onde ele colecionava toda a trajetória dos irmãos. (Confuso, não!?)

    2 – Diabetes?? Sério?! Quem teve essa brilhante ideia??

    3 – A bruxa mor toda poderosa lutando com um pá??

    4 – Que make up horrenda é aquela?

    5 – Aquele troll com cara de gatinho da vovó, precisava mesmo se chama Edward?? Mesmo??

    Enfim..Poderia citar vários outras cagadas, mas vc viu o filme tbm..sabe do que eu to falando.

    Quanto a essa era de adaptações de contos de fadas, acho muito bacana a ideia. Mas acho que eles deveriam levar para o lado mais sombrio de verdade. E esquecer essas piadas fracas e sempre desnecessárias.
    Talvez o único que tenha chegado mais perto do que eu to falando é "Branca de Neve e o Caçador" ,embora até mesmo esse com os seus pontos fracos.
    To muito ansioso pelo que vem pela frente.. (João e o Pé de Feijão, A bela Adormecida, etc..) mas agora, depois de João e Maria, com bastante medo de outras decepções.

    • Você tem problemas sérios na cabeça, eu adorei o filme, não faz sentido nenhum os erro que você cito. me faz um favor? antes de citar erros apresta mais atenção… beleza? não vi nenhum erro nas cenas.

      • Davi…sérios problemas é o que você tem tratando-se de conhecimento da lingua portuguesa. "Você cito"? apresta? auhhauhauha

        O filme não é tão ruim qto outros, até é divertidinho se assistido no cinema….mas é um filme extremamente fraco, cheio de furos (vitrola funcionando no meio da floresta…tá, daonde puxaram a extensão? O troll sendo ressucitado com um desfribilador improvisado depois de morrer em uma QUEDA? Vários personagens na trama que não fariam diferença nenhuma se não estivessem ali? Nenhum tipo de fundo moral ou filosófico? Uma bosta, resumindo!)

        Por causa de pessoas que se contentam com tão pouco é que continuam lançando esse tipo de merda, e cada vez menos lançam filmes como"PODEROSO CHEFÃO, CAES DE ALUGUEL, TOURO INDOMAVEL , EASY RIDER, dentre outros!

        • E voce também tem sérios problemas com a língua portuguesa,onde voce encontrou essa palavra "daonde"????????hahahaha…o sujo falando do mal-lavado.

    • Qual é o seu problema? Eu adorei o filme!!!! Aliás eu e toda minha família. O filme é ótimo, cenas bem feitas e deixando uma coisa bem claro: Quem fez o filme coloca o nome que ele quiser nos personagens. Edward é um nome comum.

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