Crítica: Moonrise Kingdom

O cineasta Wes Anderson, bem como Paul Thomas Anderson (Sangue Negro, o recente The Master) e Alexander Payne (Sideways, Os Descendentes) possui uma forma peculiar de enxergar o mundo. O que, evidentemente, se reflete na forma do diretor fazer cinema. Quem já assistiu Os Excêntricos Tenenbauns e Viagem a Darjeeling têm uma noção do que encontrar nas obras de Anderson: lirismo, humor non-sense e uma estética direção de arte. Moonrise Kingdom repete esta fórmula pitoresca com sucesso.

A história ambientada no verão de 1965, se passa numa fictícia ilha na costa da Nova Inglaterra, cujo único contato com o continente se dá através de uma central telefônica na estação de polícia e um hidroavião a serviço dos correios. É neste bucólico lugar que vivem Sam e Suzy (os estreantes Jared Gilman e Kara Hayward), dois pré-adolescentes que se apaixonam, elaboram um pragmático plano e decidem fugir para viver juntos na floresta.

Quando a dupla desaparece, os habitantes da ilha se movimentam para encontrá-los. A busca é organizada pelo Capitão Sharp, chefe da polícia local (Bruce Willis) e pelo líder dos escoteiros (Edward Norton), sempre acompanhados dos pais complicados da menina (Frances McDormand e Bill Murray) e uma assistente social turrona (Tilda Swinton). O que nenhum deles sabe é que uma forte tempestade está a caminho, podendo dar um fim trágico tanto para a aventura de amor quanto a expedição de resgate.

É enternecedor a forma como Anderson conta a sua historia de amor (escrita em parceria com Roman Coppola), através de singelas metáforas, críticas sagazes à sociedade moderna e suas convenções. Sua raridade excêntrica em conduzir a película conquista de imediato o espectador cansado da mesmice hollywoodiana e ávido por um sopro de criatividade. Corroboram com este sentimento a fotografia impecável de Robert Yeoman, a direção de arte tom pastel de Gerald Sullivan e a mágica trilha sonora do compositor francês Alexandre Desplat, presente em todos os instantes.

Para quem não está acostumado com o estilo do cineasta, Moonrise Kingdom tem sabor agridoce. A comédia de humor inteligente, porém seco, a estética da filmagem, as situações surreais, os personagens anticonvencionais e a maneira como se comunicam podem causar estranheza junto ao público despreparado. No entanto, os iniciados com a filmografia de Anderson serão facilmente cativados pela genialidade do cineasta e sua particular visão ao retratar a nostalgia e inocência contidas no universo infantil.

(4/5)
Moonrise Kingdom (Idem)
Estados Unidos, 2012 – 94 min.
Direção: Wes Anderson. Roteiro: Roman Coppola e Wes Anderson.
Elenco: Bruce Willis, Edward Norton, Frances McDormand, Bill Murray, Kara Hayward, Jared Gilman.