Crítica: Rock of Ages – O Filme

Garota do interior chega à cidade grande sonhando estar no paraíso. Aspirante a cantor aguarda uma chance para mostrar seu valor nos palcos e tornar-se famoso. Excêntrica estrela da música encara crise existencial nas vésperas de iniciar a sua carreira solo. Dono de um bar, ao lado de amigo maluco e devotado, deve lidar com problemas financeiros para manter o seu estabelecimento. Mulher conservadora, movida por ressentimentos do passado, inicia uma campanha para devolver à sua cidade a “dignidade” roubada pela música. Empresário inescrupuloso e ávido por cifras planeja capitalizar sobre um novo talento. Coloque esse balaio de personagens na vibrante Los Angeles oitentista, em um musical embalado por canções do rock n’ roll e você tem uma ideia do que esperar de Rock of Ages – O Filme.

Escrito por Justin Theroux (Homem de Ferro 2), Allan Loeb (Esposa de Mentirinha) e Chris D’Arienzo, a partir do popular musical de sua autoria, a história ambientada em 1987 convida à última apresentação da banda de rock Arsenal, antes da despedida do vocalista Stacee Jaxx (Tom Cruise). Tendo como palco o bar Bourbon, o “monumento à decadência” onde se deu a primeira apresentação do grupo, esta é a oportunidade para que Dennis Dupree (Alec Baldwin) e Lonny (Russell Brand), fanáticos por rock ‘n roll e também péssimos empresários, equilibrem as finanças do bar. Mas, para que o show aconteça, o empresário Paul Gill (Paul Giamatti) precisa domar a sua maior estrela, uma combinação entre Axl Rose e Jim Morrison entregue, não poderia ser diferente, a sexo e drogas. Eles ainda têm que contonar a manifestação contra a má influência do rock, liderada pela beata Patricia (Catherine Zeta-Jones), a esposa do prefeito Mike Whitmore (Bryan Cranston) – um tema requentado de filmes como “Footloose”. Há também o romance descartável entre Lonny (Diego Boneta), que trabalha no Bourbon, e Sherry (Jennifer Hough), ingênua jovem do interior recém-chegada à cidade e contratada para ser garçonete em um daqueles constrangedores momentos do cinema.

Esforço saudosista de encenar melodias de rock para o mundo pop, a direção de Adam Shankman (que não é calouro em musicais, ele assina a refilmagem de Hairspray – Em Busca da Fama) falha na criação de um universo diegético em que a cantoria dos personagens não seja vista somente como uma estranha forma de dialogar. Os números musicais, por sua vez, não fogem do lugar-comum e limitam-se ao palco, onde funcionam dependendo do talento do ator/cantor em cena. Porém, se a qualidade da playlist atenua a pequenez da narrativa, o mesmo não é possível afirmar das torturantes sequências dor de cotovelo, ou melhor, de quase todos os momentos protagonizados por Hough (da refilmagem de Footloose). Resumindo a sua atuação a jogar os cabelos para trás, passear a mão pelo corpo e fazer bico enquanto “canta”, ela é um manequim ambulante, belíssima de se ver e insuportável de aturar.

Falhando em criar oportunidades para que o invejável elenco brilhe, Shankman desperdiça seus astros em personagens inexpresivos. Cabe a Tom Cruise roubar o filme com uma atuação que faz jus não apenas à reputação de Stacee Jaxx, mas de todos astros do rock. Seguido rigorosamente por um intenso faixo de luz (nos palcos, os holofotes; fora deles, a iluminação da fotografia) e provocando desmaios por onde anda, Cruise parece estar constantemente sob efeito de drogas – apesar do roteiro ironicamente quadradão mostrá-lo apenas consumindo álcool -, cambaleando enquanto profere palavras bonitas e vazias, até que sobe aos palcos e convence o espectador de estar vendo um grande astro em exibição. Graças a ele, Rock of Ages – O Filme vale o preço do ingresso. Mas, se a ideia era resgatar a nostalgia rock n’ roll dos anos 1980, sugiro comprar os CDs das bandas daquele período. Pode ser uma alternativa mais cara, porém mais recompensadora.

(3/5)
Rock of Ages – O Filme (Rock of Ages)
Estados Unidos, 2012. – 123 min.
Direção: Adam Shankman. | Roteiro: Justin Theroux, Chris D’Arienzo e Allan Loeb.
Elenco: Alec Baldwin, Russell Brand, Tom Cruise, Catherine Zeta-Jones, Malin Ackerman.

  • Daniel

    Hehehehe… filme muito bacana. Principalmente pelas músicas selecionadas. Clássicos para todos os gostos com uma atuação impagável de Tom Cruise. Recomendo