Crítica: Slovenian Girl


Excetuando-se os documentários, filmes sobre prostituição geralmente buscam uma representação glamourosa da profissão mais antiga do mundo, transformando prostitutas em heroínas ou exemplos (equivocados) de vida. Premiado em diversos festivais internacionais, este não é o caso de Slovenian Girl. Até porque, embora o filme seja vendido como uma espécie de Bruna Surfistinha do leste europeu, a trama central do longa não é sobre prostituição, mas sim a economia e a sociedade moderna.

A “Slovenian Girl” (Garota da Eslovênia, em português) do título chama-se Aleksandra (Nina Ivanisin), uma jovem prostituta que ganha este apelido da imprensa local após se envolver na morte acidental de um dos seus clientes, um diplomata estrangeiro. Garota inteligente e amargurada, ela veio de Krsko a caminho de Ljubljana (capital do país), para estudar e afastar-se dos dramas do passado – abandonada pela mãe, a garota vivia com o pai boêmio. Aleksandra se prostitui em segredo e, nesse submundo, descobre que a tal “vida fácil” é bem dificil, tendo homens degradantes como clientes e cafetões a perseguí-la.

O desempenho da atriz Ivanisin embora um tanto oscilante, convence. Sua performance nas cenas em que está “trabalhando”, onde exibe uma postura indiferente e nada empolgante, é embaraçosa, e, diga-se de passagem, não faz jus ao seu “cache” de 200 euros. Mas, quando usa sua fala mansa e banca a dissimulada, usando um falso tumor como desculpa para ser aprovada na Faculdade ou conseguir um prazo maior no seu financiamento imobiliário, ela se sai muito bem.

Preocupado em traçar um perfil mais amplo da situação financeira da Eslovênia e sua desconjuntura diante a União Européia, o diretor Damjan Kozole optou por uma narrativa fria e introspectiva onde volta e meia tira o foco de sua protagonista para se concentrar no pai dela, um sujeito humilde e sonhador, disposto a ressuscitar sua antiga banda de rock. A ideia, completamente sem relevância, não funciona, distrai o público e diminui o impacto da história principal.

Mesmo com estes tropeços e beneficiado por sua curta duração, Slovenian Girl é uma obra moderadamente interessante. A visão insípida do diretor Kozole que não adota pontos de vista, nem mesmo para sua protagonista, tem algo de hipnotizante que prende o espectador. Talvez a “culpada” seja a belíssima Run Along, canção que ajuda a narrativa fluir, mesmo em suas divagantes sequências.

(3/5)
Slovenian Girl (Slovenka)
Eslovênia / Alemanha / Sérvia / Croácia / Bósnia, 2009 – 90 min.
Direção: Damjan Kozole. | Roteiro: Matevz Luzar, Ognjen Svilicic e Damjan Kozole.
Elenco: Nina Ivanisin, Peter Musevski, Primoz Pirnat, Marusa Kink, Uros Furst, Aljosa Kovacic.