Crítica: A Toda Prova


Steven Soderbergh é um homem de prestígio em Hollywood. Sócio de George Clooney na produtora Section 8, o sujeito está acostumado a dirigir produções com muitos astros de peso no elenco, vide 11, 12, 13 Homens e vários Segredos e o recente Contágio. Portanto, não se espante com a presença de Michael Douglas, Antonio Banderas, Ewan McGregor e Michael Fassbender nesta bobagem que atende pelo nome de A Toda Prova. Ou os caras estavam fazendo um mega-favor a Soderbergh ou acreditaram no boato ridículo que rondou a web há alguns meses dizendo que o diretor ia se aposentar.

Pela segunda vez, o cineasta aposta numa garota “desconhecida” para protagonizar um filme. Em Confissões de uma Garota de Programa (2009), a bela Sasha Grey, performer pornô com mais de 200 fitas no currículo, provou que tinha algum talento e podia ir além do “Oh,yeah”, mesmo num personagem não muito diferente de sua vida real. Mas Soderbergh não é Midas e aqui, sua intenção falha miseravelmente: Gina Carano, ex-lutadora de MMA, entende muito de pancadaria, mas como atriz, não passa de uma Schwarzenegger de saias.

Na história, ela é Mallory Kane, ex-oficial de operações especiais que trabalha para uma agência terceirizada pelo governo americano. Ao ser traída por um integrante da sua própria equipe, durante uma missão na Europa, agora busca vingança. O longa, que trabalha bastante com flashbacks, começa até bem, com uma eficiente briga entre Carano e Channing Tatum no interior de uma cafeteria, mas, não demora para cair na mesmice, numa trama enrolada onde as sequências de ação não seguram o filme.

Thrillers policiais com agentes traídos buscando vingança não são exatamente originais. Soderbergh até se esforça, enchendo o seu longa com linguiça referências a clássicos setentistas, mas o fraquíssimo roteiro de Len Dobbs não colabora. Nem mesmo os coadjuvantes “famosos” ajudam: exceto Fassbender (Shame), os demais trabalham no automático e seus personagens têm a profundidade de um pires.

Cansativo e com um desfecho decepcionante, salvam-se em Haywire as habilidades da texana Gina, que usa e abusa da sua competência no jiu-jitsu, boxe, muay thay, luta greco romana, e outras especialidades em artes marciais. Ainda assim, isso é muito pouco. Que o diga a brasileira Cristiane “Cyborg” Santos que derrotou Carano nos ringues em seu último combate como profissional da Strikeforce (a versão “UFC” feminina).

(1/5)
A Toda Prova (Haywire)
Estados Unidos, 2011 – 93 min.
Direção: Steven Soderbergh. | Roteiro: Len Dobbs.
Elenco: Gina Carano, Ewan McGregor, Michael Fassbender, Michael Douglas, Channing Tatum.

  • luis felipe

    So vou assistir pq ela é uma gostosa…

  • Daniel

    A culpa não foi da Gina Carano. O filme é sonífero puro por causa do reoteiro prozac. Podia colocar qualquer ator que o resultado seria o mesmo.

  • @paulinhoscosta

    Profissional da UFC?

    Chris Cyborg e Gina Carano são do Strikeforce.

    UFC não tem MMA feminino…

    • Corrigido! Grato pela informação.

  • Rayane

    Cristina? Cristiane Santos.