Crítica: Kung Fu Panda 2

Kung Fu Panda 2

Quando “Kung Fu Panda” estreou em 2008, o elogio mais comum de se ouvir era de que se tratava de uma empreitada ousada e criativa da Dreamworks e que apresentava ao público personagens encantadores, uma boa mescla entre o estilo de filme hollywoodiano com o charme da cultura asiática, particularmente a chinesa.

Quão surpreendente foi esta sequência que, com tudo para ser ainda melhor que a primeira parte, afundou-se em recursos surrados de contar a origem dos personagens, levou ao extremo o lema atual de ser cada vez mais sombrio e com isso, matou tudo que o urso Po e companhia tinham de melhor.

Depois de um tempo de vida pacata no Vale da Paz, Po e seus companheiros Guerreiros precisam cruzar o país em busca do Lorde Chen, um novo inimigo, possuidor de uma arma secreta que pode acabar com o kung fu e permitir que o malvado vilão domine a China. Ao mesmo tempo, Po tem em si despertada a vontade de saber de onde veio e precisa encontrar os seus pais biológicos, depois que seu pai ganso lhe conta que ele é adotado.

Ironicamente, agora que o panda está mais “em forma” e já sabe – ou pelo menos deveria, segundo o primeiro filme – lutar, a leveza se perdeu e com ela, foi-se a graça. Dá para contar nos dedos da mão esquerda do Lula quantas vezes o filme arranca alguma risada.

O que se sobressai aqui são apenas os recursos técnicos, cuja evolução em relação ao primeiro é nítida e o investimento em acessórios orientalizados é ainda maior e acertado. Mas onde está a graça do urso comilão e bonachão? Onde foi parar a química entre ele e os Guerreiros do Dragão? Aliás, o que fizeram com estes personagens? Os coitadinhos quase sumiram e passaram a desempenhar aqui apenas o papel de ajudantes de Po.

Além dos antigos coadjuvantes perderem função, não é possível encontrar, dentre a dúzia de novos personagens, um só que tome para si a responsabilidade de fazer rir, como é de praxe acontecer em sequências de animação.

Kung Fu Panda 2 sofre pelo exagero da maldade. Enquanto prega paz interior, promove a guerra e a destruição. Para se ver até que ponto chegou a distorção dos conceitos. Tudo muito escuro, tudo muito cheio de informação desnecessária, tudo muito mais sério do que deveria ser. É a síndrome da megalomania. Um dos últimos comentários da Tigresa é de que “isso foi realmente barra pesada”. Há que se concordar com ela.

(2.5/5)
Kung Fu Panda 2 (Idem)
Estados Unidos, 2011 – 90 min.
Direção: Jennifer Yuh. | Roteiro: Jonathan Aibel e Glenn Berger.
Elenco: Vozes de Jack Black, Angelina Jolie, Jackie Chan, Jean-Claude Van Damme, Dustin Hoffman.