Crítica: Tomorrowland – Um Lugar Onde Nada é Impossível

Tomorrowland – Um Lugar Onde Nada é Impossível é uma ficção científica que trabalha com a ideia de um futuro utópico como propaganda usada para atrair as mentes mais brilhantes da Terra e se unirem para tornar esse futuro possível. E por mais que parta de um conceito bastante interessante, o novo trabalho do cineasta Brad Bird (Missão Impossível: Protocolo Fantasma) entrega problemas estruturais e narrativos que prejudicam a sua apreciação, ainda que não abalem a beleza das suas imagens.

Contando com duas introduções – uma para apresentar os dois protagonistas e outra para contar a história do personagem de George Clooney – antes de entrar de fato na sua trama, o roteiro acompanha uma garota inteligente e problemática (Britt Robertson) que passa os seus dias sabotando a desativação de um projeto da NASA, para garantir o emprego do seu pai. Ela, então, é abordada pela misteriosa Athena (Raffey Cassidy), que a convida para “viajar” até Tomorrowland, uma terra onde, como o próprio título nacional sugere, tudo é possível. Para isso, elas vão contar com a ajuda de Frank Walker (Clooney), um ex-morador daquele local, ao mesmo tempo em que são perseguidos por robôs disfarçados de agentes secretos.

A ideia da ameaça disfarçada remete às sci-fis clássicas, principalmente àquelas feitas durante a Guerra Fria, que usavam esse argumento como simbolismo contra a ameaça vermelha do comunismo. E é sintomático que isso esteja presente aqui, afinal, o longa é uma grande homenagem ao gênero. Outros elementos característicos dessa época (e da década de 1980, outra constante aqui) estão presentes, como a estrutura familiar quebrada e a ideia de um futuro limpo e perfeito. A grande sacada nesse caso é o fato de os próprios personagens reconhecerem esse conceito e brincarem com ele. Isso reforça a ideia de homenagem, além de parodiar certos elementos característicos da época – como os robôs educados e sorridentes.

O design da produção também merece destaque, em especial na sua concepção de um futuro formado por uma arquitetura circular e aparentemente antigravitacional. Da mesma maneira, a direção de fotografia de Claudio Miranda (As Aventuras de Pi), sem dúvida um dos melhores da atualidade, consegue dar vida e cor àquele universo fantasioso. E Brad Bird, por sua vez, acerta ao investir no humor (a piada entre Nikola Tesla e Thomas Edison é ótima) e na leveza na sua narrativa. Porém, ele se equivoca ao não conseguir definir o tom a ser abordado, fazendo com que o filme ora pareça voltado para o público adulto, e ora apenas para a criançada. Não por acaso, o problema em definir o tom ocorreu também em John Carter: Entre Dois Mundos e O Cavaleiro Solitário, outros dois fracassos comerciais do estúdio Disney – e ao que tudo indica, Tomorrowland está indo pelo mesmo caminho.

Além do mais, o longa apresenta problemas sérios de ritmo e sua resolução soa um tanto simplista, reduzindo toda a diversidade da narrativa a apenas uma única solução. Tais problemas tornam Tomorrowland – Um Lugar Onde Nada é Impossível apenas bom filme e uma homenagem decente ao gênero. E se isso por si só já não seria suficiente, vindo do mesmo diretor de obras-primas como O Gigante de Ferro, Os Incríveis e Ratatouille, não deixa de ser também um pouco decepcionante.

Tomorrowland – Um Lugar Onde Nada é Impossível (Tomorrowland)
Estados Unidos, 2015 – 130 min.
Direção: Brad Bird.| Roteiro: Damon Lindelof e Brad Bird .
Elenco: Britt Robertson, George Clooney, Hugh Laurie, Raffey Cassidy, Tim McGraw, Kathryn Hahn.