Crítica: A Marca do Medo


A Marca do Medo chega aos cinemas com uma certa responsabilidade pelo fato de ser a mais recente aposta da produtora de horror histórica Hammer Films. Trata-se de um conto ambientando na Inglaterra dos anos 1970, sobre um professor (Jared Harris) e seus seguidores tentando provar e documentar a teoria de que poderes sobrenaturais são simplesmente uma manifestação do trauma psicológico. O objeto de estudo é uma jovem (Olivia Cooke) que acredita ser possuída por uma entidade do mal e, à medida que a história avança, certos incidentes inexplicáveis começam a ocorrer.

Desde seu renascimento, a Hammer Films produziu um punhado de fitas com sucesso variável e, até o momento, A Mulher de Preto foi de longe o mais bem sucedido – mas nem chegou perto de ser assustador como as produções de terror clássicas da produtora britânica. Com direção de John Pogue (Quarentena 2), a fita começa bem e mantém uma sensação de ambiguidade em seus estágios iniciais. O problema é que nunca consegue se libertar disso, mesmo quando a trama se desenrola e a verdade vem à tona, há pouca surpresa porque o filme não deixa seu público preso o suficiente para ser afetado por ele.

A falta de tensão incomoda e a direção é baseada no uso de sustos de forma isolada para que em seguida retome seu timing lento, passando a impressão de que a história nunca atinge todo seu potencial. Convenhamos, a ideia de que poltergeists são uma manifestação do subconsciente é bastante interessante e o longa se beneficiaria com uma exploração mais profunda dos experimentos psicológicos e científicos. Isso é mostrado muito bem no primeiro ato, mas à medida que chegamos ao clímax da história – que por si só seria o suficiente para causar medo – fica cada vez mais sem brilho.

Dito isso, o longa tem alguns pontos fortes. O roteiro é supostamente baseado em uma experiência real feita em Toronto, no Canadá, em 1970. Sem dúvida, esta suposição trabalha a seu favor, não importa o quão pouco convincente sejam os eventos descritos. Mas em um mundo onde há anos fitas de terror são lançadas com falsas alegações de que são inspirados na realidade, esta informação não basta para assustar o público. A fotografia se destaca com a interação entre a câmera padrão e as de oito milímetros e os efeitos de som bem utilizados, por vezes até compensam a falta de tensão.

No geral, uma boa história apenas, ainda que não seja inédita. Em alguns momentos lembra o clássico britânico de John Hough, The Legend of Hell House (1973), cuja premissa é bem parecida. Infelizmente, sem a direção adequada e um roteiro mais ousado, A Marca do Medo entrega um resultado bem aquém de suas possibilidades, cujo resultado não é assustador o suficiente, o combustível principal de uma obra do gênero.

A Marca do Medo (The Quiet Ones)
Inglaterra / Estados Unidos, 2014 – 125 min.
Direção: John Pogue. | Roteiro: Craig Rosenberg, Oren Moverman e John Pogue.
Elenco: Jared Harris, Sam Claflin, Olivia Cooke, Erin Richards, Rory Fleck-Byrne, Laurie Calvert.