Crítica: A Culpa é das Estrelas


Em cartaz nos cinemas há pouco mais de uma semana, A Culpa é das Estrelas, adaptação do best-seller homônimo de John Green, já é um fenômeno mundial. O sucesso da película é merecido, visto que a produção é tão interessante quanto sua gênese literária: não apela para sentimentalismos baratos, foge completamente dos estereótipos que povoam 99.9% dos longas juvenis e, o melhor, não é um filme de nicho, direcionado apenas para os fãs do livro. Até porque, mesmo quem não leu, não passou incólume a obra, certamente já viu alguma citação bonitinha em seu facebook compartilhada por algum amigo – “Meus pensamentos são estrelas que eu não consigo arrumar em constelações”, “O mundo não é uma fábrica de realização de desejos” – sem saber que a fonte de inspiração era o romance de Green.

A história comovente acompanha a via crucis de Hazel Lancaster (Shailene Woodley), que aos treze anos foi diagnosticada com um câncer agressivo e agora, aos dezesseis, está em estágio terminal. Através de uma droga revolucionária, os médicos conseguiram reduzir o tumor, garantindo a jovem uma sobrevida de mais alguns anos. Entre idas e vindas a hospitais, Hazel vê seu limitado universo mudar ao conhecer Augustus Waters (Ansel Elgort), de dezessete, ex-jogador de basquete que perdeu a perna para a doença. Como Hazel, Gus é inteligente, tem senso de humor ácido e gosta de brincar com os clichês do mundo do câncer – a principal arma dos dois para enfrentar a terrível enfermidade.

John Green não virou sensação entre os jovens adultos à toa. Ao contrário de outros colegas literatos cujos romances uma vez espremidos rendem apenas um suco ralo (e versões cinematográficas ainda mais aguadas), sua obra é interessante, cheia de vida e consegue decifrar a linguagem (atual) do seu público alvo. E o filme consegue transpor isso para a telona de maneira bem satisfatória. Adaptações literárias para o cinema sempre geram controvérsias quanto a fidelidade, mas pouco se perde em A Culpa é das Estrelas, uma vez que as concessões e alterações realizadas não macularam a essência refinada do livro.

Um dos grandes trunfos da fita é a química que rola entre o casal de protagonistas. Ciente do precioso material humano que tinha em mãos, o diretor Josh Boone (Ligados Pelo Amor) optou pela política do “muito ajuda quem não atrapalha”, deixando a dupla à vontade. Apesar de bem jovens, os dois (que já atuaram juntos em Divergente), entregam uma performance intensa e memorável, sobretudo a talentosa Shailene, a nova promessa de Hollywood. Aos 22 anos, a garota de corpo franzino e voz de “menininha”, é a própria determinação de Esther Earl, jovem que inspirou o personagem Hazel, uma adolescente que passou pela vida do autor deixando muitas lembranças, tristeza e um estímulo florescente para escrever.

Quando as luzes acenderem e os créditos de A Culpa é das Estrelas começarem a subir, você vai estar se esvaindo em lágrimas. Mas não há motivo para vergonha. Chorar faz bem a alma e alivia. Ainda mais quando o motivo é tão nobre, um filme inspirador que além de contar uma emocionante história de amor, desmistifica uma doença tabu, fala de solidão, preconceito e, principalmente, superação.

A Culpa é das Estrelas (The Fault in Our Stars)
Estados Unidos, 2014 – 125 min.
Direção: Josh Boone. | Roteiro: Scott Neustadter e Michael H. Weber.
Elenco: Shailene Woodley, Ansel Elgort, Laura Dern, Willem Dafoe, Sam Trammell, Nat Wolff.