Crítica: Capitão América 2 – O Soldado Invernal


A Marvel Studios se estabeleceu nos cinemas realizando filmes que misturam ação e humor, e com resultados bastante similares entre si. Apesar disso ter se mostrado uma fórmula quase infalível (vide as suas incríveis bilheterias), é interessante notar que o estúdio também aceita ousar um pouco mais e fugir do seu lugar-comum. Assim, Capitão América 2 – O Soldado Invernal é um dos trabalhos mais distintos da Marvel, e é também um dos melhores que o estúdio já produziu.

Escrito por Christopher Markus e Stephen McFeely (ambos de Thor: O Mundo Sombrio), o roteiro se passa algum tempo após os eventos vistos em Os Vingadores. Na trama, o Capitão América (Chris Evans) agora trabalha junto com a S.H.I.E.L.D. resolvendo problemas políticos em solo estrangeiro. Mas quando ele se depara com uma conspiração envolvendo a própria agência de segurança para a qual presta serviços, ele se torna inimigo público número 1, sendo caçado não só pelos seus antigos parceiros, como também pelo misterioso Soldado Invernal (Sebastian Stan).

Iniciando a narrativa com uma conversa entre veteranos de guerra, é estabelecida uma visão um pouco mais realista desse mundo tomado por super-heróis (algo que fica mais claro quando comparado com o visual retrô do longa original). Além do mais, discussões sobre drones e uma estratégia baseada no medo como forma de manter a paz fazem deste um filme bastante atual em relação à situação política contemporânea.

Em sua estreia no universo Marvel, os cineastas Anthony e Joe Russo (série Community) trazem uma carga de crueza até então ausente ao protagonista (ao colocá-lo enfrentando inimigos à sua altura), mas sem perder a áurea do super-herói (a extrema rapidez dos seus movimentos confere agilidade às cenas de ação). Vale destacar também a competente composição de Chris Evans para o personagem, que entrega um Capitão apegado ao seu passado (e aos seus antigos amigos) e conflitante sobre a sua função nesse novo mundo.

Apesar de todas as suas qualidades, é inegável que em certos momentos o filme exige uma extrema suspensão de descrença por parte do seu expectador, principalmente ao entregar uma trama que tem como base uma máquina similar àquela vista na série Person of Interest (capaz de impedir os crimes antes que eles aconteçam), mas que foi concebida na década de 1970(!) como parte do plano de alguém que transferiu a sua mente para um computador(!!) e que planeja fazer um novo holocausto utilizando tecnologia de ponta, tecnologia essa (vale lembrar) que não existia na época em que o plano foi desenvolvido.

Ainda assim, Capitão América 2 – O Soldado Invernal consegue ser uma aventura divertida e um entretenimento de primeira, especialidade da Marvel Studios, mas que procura se levar mais a sério. E por mais que esse objetivo não tenha sido atingido em sua plenitude, a tentativa de realizar algo diferente já é louvável, e o ótimo resultado deste longa mostra que o estúdio já está pronto para se arriscar um pouco mais.

Capitão América 2: O Soldado Invernal (Captain America: The Winter Soldier )
Estados Unidos, 2014 – 136 min.
Direção: Joe Russo e Anthony Russo. | Roteiro: Christopher Markus e Stephen McFeely.
Elenco: Chris Evans, Scarlett Johansson, Samuel L. Jackson, Robert Redford, Sebastian Stan, Anthony Mackie.

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Daniel Medeiros é graduado em Cinema e Vídeo e formado nos cursos de Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica; e Jornalismo Cinematográfico - Crítica, Reportagem e Coberturas de Festivais. É membro da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (ABRACCINE) e pesquisador sobre cinema de terror.