Crítica: Até Que A Sorte nos Separe 2


Comédia com cara, pescoço e pernas de produto global, Até Que a Sorte nos Separe 2 estreia nos cinemas brasileiros batendo o recorde em número de salas onde será exibido (734 no total). Não que isso signifique muita coisa para esta comédia insossa, de roteiro pífio, atuações arrastadas e direção mais perdida do que cego em tiroteio. Outra “decepção” nacional que certamente arrastará multidões as salas de cinema.

Gravado no Rio de Janeiro e em Las Vegas (EUA), o longa coloca o protagonista Tino (Leandro Hassum) e sua família para viver novas confusões. Dessa vez, o personagem mais sortudo do cinema nacional é salvo de uma eminente falência por uma inesperada herança deixada por um tio de sua esposa Jane (vivida por Camila Olga Morgado, substituindo Danielle Winits). Com 50 milhões de reais no bolso e a fácil missão de despejar as cinzas do falecido no meio do Grand Canyon, a família viaja para Vegas onde, se metem em muitas trapalhadas no cassino do hotel onde ficam hospedados.

O roteiro é terrível. Bobagens gigantescas, toscas, se misturam com diálogos sem o mínimo de proveito e repletos de exageros. A overdose de besteiras que testemunhamos chega ao seu ápice nas sequências de MMA (com participação de Anderson Silva) que só servem mesmo para promover esse esporte nada violento, que por acaso tem preciosos minutos reservados em uma famosa emissora de televisão, que por acaso mais ainda tem uma certa influência neste filme. Preciso ser mais explícito quanto ao merchan?

Tino, o personagem de Hassum (Se Puder… Dirija!), é um dos mais caricatos e chatos já visto nas telas. A atuação do comediante é de dar pena, completamente perdido e improvisando bastante – ele basicamente repete seu papel do televisivo Os Caras-de-Pau. Uma boa seria Hassum voltar ao teatro, onde realmente se destaca como um dos grandes talentos brasileiros. Já Morgado, coitada, revela-se um desperdício de talento, fazendo de tudo que pode por sua cartunesca personagem.

A única coisa interessante que se salva na fita é a participação especial (e bem rápida) do veterano Jerry Lewis. O comediante norte-americano de 89 anos, que ficou famoso na década de 1960 quando formou uma dupla espetacular com Dean Martin e realizou os filmes por qual seria idolatrado (O Otário, O Professor Aloprado, O Mocinho Encrenqueiro, entre outros), interpreta um funcionário do hotel, em uma clara homenagem a uma de suas comédias mais famosas, O Mensageiro Trapalhão.

Lançado em 2012, o primeiro longa levou mais de três milhões de espectadores aos cinemas. E, ao que tudo indica, Até Que A Sorte nos Separe 2 baterá esse número com facilidade. Mas será que é esse tipo de filme que o público deseja assistir? Uma obra vazia que trata o espectador feito imbecil? É justo com quem ama cinema e ainda acredita nas produções nacionais?

(1/5)
Até Que A Sorte Nos Separe 2
Brasil, 2013 – 91 min.
Direção: Roberto Santucci. | Roteiro: Paulo Cursino e Chico Soares.
Elenco: Leandro Hassum, Camila Morgado, Arlete Salles, Kiko Mascarenhas, Berta Loran.