Crítica: Silent Hill – Revelação


Se você é fã do game da Konami que inspirou Silent Hill – Revelação, deve estar ansioso para ver a continuidade da história desta cidade sinistra e cheia de segredos. A primeira adaptação para o cinema, Terror em Silent Hill, realizada em 2006, está longe de ser um obra prima, mas agradou grande parte do público e deixou um bom potencial para uma continuação. No entanto, a sequência parece ter sido feita com engenharia reversa, desperdiçando todo e qualquer potencial. Este novo Silent Hill é a prova do quão pouco lisonjeira uma homenagem pode ser.

Nesta continuação – quem não assistiu o anterior ou nunca jogou o game vai ficar perdido – o pai solteiro Harry (Sean Bean, de Game of Thrones) quer proteger sua filha Heather (Adelaide Clemens), muitos anos após sua esposa (Radha Mitchell, vista em flashback) salvá-la de Silent Hill e desaparecer. Heather cresceu atormentada por pesadelos deste lugar obscuro, sem saber exatamente o porquê. Quando Harry é sequestrado, Heather precisa enfrentar esta realidade alternativa para salvar seu pai e encontrar respostas para tal martírio que a acompanha desde a infância.

O pesadelo da heroína se torna também o nosso pesadelo. E não, não é no bom sentido. Filmes de terror não costumam ter muito respeito e/ou admiração por parte da mídia mainstream e este é tão terrível e vergonhoso que não dá pra culpar alguém por guardar rancor com o gênero após vê-lo.

A narrativa é empurrada através de sustos baratos, não há nenhum suspense, em momento algum a história é assustadora ou envolvente. A fita degenera rapidamente em uma miscelânea de rostos suturados e lâminas cutucando os olhos do espectador. O diálogo torna-se cada vez mais estúpido e a violência entorpece até a chegada do fim misericordioso.

O que torna este longa tão infame não são as atuações penosas, os efeitos ruins, o 3D picareta ou as cenas de ação excruciantes. É o roteiro incoerente de Michael J. Basset, assim como sua direção arrastada que fez Silent Hill – Revelação desconcertante. Aliás, se alguém conseguir encontrar alguma justificativa para o desfecho podre do filme, por favor, me avise.

(0.5/5)
Silent Hill – Revelação (Silent Hill – Revelation)
Estados Unidos, 2012 – 94 min.
Direção e Roteiro: Michael J. Bassett.
Elenco: Adelaide Clemens, Kit Harington, Carrie-Anne Moss, Radha Mitchell, Sean Bean.