Crítica: Meu Passado Me Condena


Dirigido pela estreante Julia Rezende e produzido por Mariza Leão, a comédia romântica Meu Passado me Condena é uma espécie de episódio especial do seriado homônimo exibido pelo Multishow. Estrelado pelo arroz de festa Fabio Porchat (Vai Que Dá Certo) e pela atriz Miá Mello (Cilada.com), o longa-metragem é um grande apanhado de clichês e historinhas para criar clima de romance e coincidências absurdas (supostamente) divertidas.

Na trama, Porchat vive um hipocondríaco, pão duro e animador de festas que após um mês de namoro resolve se casar com Miá, uma jornalista econômica e tagarela que gosta de Truffaut. Para comemorar a união resolvem passar a lua de mel em um transatlântico, num cruzeiro que parte do Brasil rumo à Europa. À bordo do luxuoso Costa Favolosa, os conflitos começam quando o casal dá de cara com o rico Beto (Alejandro Claveaux), ex-namorado de Miá, que por acaso do destino (e do roteiro), está casado com Laura (Juliana Didone), uma antiga paixão de Fábio.

O filme funciona como entretenimento até certo momento. O texto escrito por Tati Bernadi tem boas sacadas humorísticas, mas a história se perde do meio para frente. As licenças poéticas são adotadas com certo exagero, recurso visto à exaustão em terríveis comédias norte-americanas: um encontro entre dois casais que tem um passado em comum, a mistura dos estereótipos, e os falsos vilões em forma de trambiqueiros são alguns desses exemplos.

O ponto positivo fica por conta de um pequeno detalhe sobre o ciúmes provocado pelas redes sociais – realmente um assunto bastante atual – que são inseridos no roteiro dando um ar de atualidade, mesclado muito bem com as confusões que testemunhamos. Mas isto não é o suficiente para salvar o filme. O projeto funcionaria bem melhor se fosse um curta-metragem. Como longa, o resultado fica aquém dos esquetes exibidos na TV paga.

O comediante Fábio Porchat – que agora está em todo lugar, teatro, internet, TV e cinema – tem bons momentos, mas assim como seus colegas de elenco, deixa a desejar quando a história descamba para o drama. Estas sequências são sofríveis e tiram o ritmo da comédia, que vai se tornando enfadonha e arrastada, até chegar a sua previsível conclusão. Espero que os produtores, realizadores, diretores e roteiristas nacionais não se acostumem a criar a “Brazilwood”, somos muito mais criativos do que isso e não precisamos imitar nenhuma sitcom da terra do Tio Sam para conseguir público.

(2/5)
Meu Passado Me Condena
Brasil, 2013 – 78 min.
Direção: Júlia Rezende. | Roteiro: Tati Bernadi.
Elenco: Fábio Porchat, Miá Mello, Juliana Didone, Marcelo Valle e Inez Viana.

  • Lais Castro

    Discordo dos argumentos utilizados por Raphael. Fui assistir o filme com a ideia que poderia ser mais um, entre tantos sem sal e sem açúcar que costumam deixar um gostinho de que não é possível que o filme já acabou. O filme é engraçado, tem o tempo certo da piada que acontece de maneira leve e simples, o riso é espontâneo e é impossível segurar. Minha crítica fica a atriz Miá, que em minha opinião não passa tanta verdade em cena. Mas mesmo com esse porém que não me agradou, continuo achando o filme nota 10!

    • Nadjane

      Meu nome é Nadjane Moraes, e concordo perfeita com Lais Castro. E digo mais, as pessoas têm que entender que tudo isso é ficção, muitas vezes comparadas a vida real, mas creio que Meu passado me condena não é o caso. Além disso, o filme não tem nudez, palavrões e baixarias, como esperado de um filme nacional.

  • Confesso que dei boas risadas com o filme, mas entendo a opinião do Raphael. Em determinados trechos, parece mesmo que o roteiro foi escrito aos moldes de uma sitcom gringa.