Crítica: Jobs


Com muita desconfiança após seu lançamento em outros países, Jobs, a cinebiografia sobre visionário criador da Apple, chega ao Brasil. Dirigido por Joshua Michael Stern (Promessas de um Cara de Pau), o longa aborda seus pensamentos sobre ter um diploma universitário, sua dificuldade no começo de carreira ao trabalhar em equipe, sua primeira grande chance na matriz da famosa empresa de jogos Atari e todas as confusões que enfrentou ao longo dos anos com sua empresa.

Desde seu início, a película deixa claro que o seu objetivo é transformar Steve em um deus genial. Apesar de errar mais do que acertar, a desconstrução do personagem é muito bem feita, tornando essa grande mente vulnerável, principalmente quando olhamos para os conflitos pessoais que o mesmo enfrenta. O homem que gostava de andar descalço e que não conseguia ver um futuro sem mainframes e plataformas tinha um emocional conturbado.

A obra relata com coerência (aos moldes cinematográficos) o perfeccionismo que Steve Jobs lapidava todos os seus revolucionários projetos. Durante a década de 1970, o futuro criador da Apple fazia o que ninguém achava que era possível. Seus discursos memoráveis sempre com uma leve cutucada no rival Bill Gates e na poderosa IBM ganham grande destaque ao longo da projeção. Uma das melhores cenas mostra exatamente como era difícil o relacionamento entre os dois grandes gênios da informática, quando Jobs faz uma ligação polêmica à Gates para tirar satisfação sobre uma cópia de um software.

Ashton Kutcher – que para se preparar para o papel, seguiu uma dieta só de fruta, similar à dieta de Jobs – passa no teste, convence com sua determinação e o seu controle contra eventuais exageros cênicos, principalmente na fase inicial adulta do protagonista. Suas cenas de discussões com John Sculley (Matthew Modine), que foi presidente da PepsiCo, antes de se tornar CEO da Apple, são os grandes destaques dentro da trama. Ainda assim, é difícil levá-lo à sério, visto a imagem que o ator construiu para si durante décadas: comediante em tempo integral e galã nas horas vagas.

Jobs, o filme, começa bem, com a trilha sonora dando ritmo às sequências. A dinâmica vai se perdendo a medida que a fita avança, com tudo sendo contado de forma simples e superficial, para caber em duas horas, 30 anos de vida – a infância é descartada – de uma das mentes empreendedoras mais importantes da História atual. No fim, a sensação que fica é de ter assistido a um especial para a TV. Jobs, o homem, merecia algo melhor.

(2.5/5)
Jobs (Idem)
Estados Unidos, 2013 – 128 min.
Direção: Joshua Michael Stern | Roteiro: Matt Whiteley.
Elenco: Ashton Kutcher, Dermot Mulroney, Josh Gad, Matthew Modine, Lukas Haas.