Crítica: Invocação do Mal


A menos que você seja um assíduo frequentador da deep web ou habitué das nossas listas de filmes perturbadores, Invocação do Mal vai lhe meter medo. De verdade. O longa é baseado num dos relatos do casal Ed e Lorraine Warren, ele demonologista, ela médium e clarividente, investigadores de atividades paranormais que durante mais de 50 anos trabalharam para desmistificar os fenômenos sobrenaturais, escreveram inúmeros livros sobre o assunto, e testemunharam mais de 10 mil casos (supostamente) ligados a espíritos e demônios. Dentre todos os “trabalhos” realizados pela dupla e sua equipe, um deles, ocorrido nos anos 1970, se mostrou bastante assustador e difícil, quando decidiram ajudar uma família assombrada por uma bruxa do século XIX.

Ed e Lorraine (Patrick Wilson e Vera Farmiga) costumavam ministrar palestras em faculdades, ondem exibiam fotos e vídeos do seus casos. Foi num destes eventos que conheceram Carolyn Perron (Lili Taylor), moradora da pequena cidade de Harrisville, em Rhode Island. Ela, o marido e as cinco filhas mudaram-se para uma casa isolada no campo, onde acontecimentos inexplicáveis – frio intenso, relógios que param sempre na mesma hora, rangidos, objetos se movendo sozinho – estão ocorrendo. Isto sem falar que o cachorro de estimação da família morreu misteriosamente na primeira noite após a mudança e Carolyn está apresentando estranhos hematomas pelo corpo. O casal decide investigar o caso e depara-se com uma entidade maligna que perturba aquela casa há muito tempo.

Dirigido por James Wan (Jogos Mortais), que possui em seu currículo uma quantidade considerável de longas de horror, Invocação do Mal é o típico exemplar do subgênero “casa mal assombrada”. O texto escrito pelos irmãos Chad e Carey Hayes (A Casa de Cêra) usa (e abusa de) referências de clássicos modernos como Poltergeist e os mistura com elementos já vistos em obras anteriores do diretor, como Sobrenatural (a entidade malévola) e Gritos Mortais (a boneca Annabelle, que faz parte da sequência aterradora que inicia a fita). Clichês também não faltam no roteiro formulaíco dos Hayes. Então, como explicar o sucesso estrondoso do filme? A seriedade com que a história é tratada, a performance convincente do elenco e a direção segura de Wan.

Ainda que não apresente ideias inovadoras, a película não parece uma cópia descarada de algo já realizado. A ambientação de época, com fotografia escura, ajuda na construção da atmosfera tensa e corrobora com os sustos, quase sempre sugestivos. Através de eficientes efeitos sonoros e usando pouquíssimas inserções digitais, Wan conseguiu criar sequências de congelar a espinha – como a brincadeira de “cabra cega com palmas”, vista no primeiro trailer -, sem apelar para a sangria desatada nem para a violência gráfica, corriqueiras nas produções atuais. O fato de estampar o rótulo “baseado numa história real” também influencia no resultado, principalmente para aquela parcela mais cética do público.

Fenômeno de bilheteria nos EUA – custou US$ 20 milhões e faturou mais de seis vezes este valor -, Invocação do Mal 2 já ganhou sinal verde da Warner. Fundadores do New England Society for Psychic Research, o mais antigo e oficial instituto de pesquisas envolvendo paranormalidade, e posteriormente o famoso The Warren’s Occult Museum, lugar onde armazenavam objetos tidos como amaldiçoados, a peculiar vida dos Warren e seus casos macabros – eles também investigaram os fenômenos em Amytiville -, certamente irão se tornar uma franquia milionária para o estúdio. Os $ustos estão garantidos para os próximos anos.

(4/5)
Invocação do Mal (The Conjuring)
Estados Unidos, 2013 – 110 min.
Direção: James Wan. | Roteiro: Chad Hayes e Carey Hayes.
Elenco: Patrick Wilson, Vera Farmiga, Lili Taylor, Ron Livingston, Shanley Caswell.

  • João de Tal

    "…A película não parece uma cópia descarada de algo já realizado." Eu achei parecido com The Amityville Horror (2005).