Crítica: Sem Dor, Sem Ganho


Após o lançamento de Transformers 3: O Lado Oculto da Lua, Michael Bay, cansado de ser severamente criticado por comandar espetáculos visuais sem conteúdo, bateu pé e disse a Paramount que só retornaria ao universo dos robôs gigantes após dirigir um filme de baixo-orçamento. Sem Dor, Sem Ganho é sua investida em se tornar um cineasta respeitado, longa baseado numa história verídica sobre uma gangue de marombeiros criminosos relatada numa série de artigos escritos pelo jornalista norte-americano Pete Collins para o jornal Miami New Times na década de 1990.

Na trama, Daniel Lugo (Michael Wahlberg) é um fisioculturista obcecado por malhação que mal consegue se sustentar trabalhando como instrutor de musculação numa academia da Flórida. Ele deseja ter muito dinheiro, uma bela mansão e mulheres aos seus pés. E Lugo tem pressa, não é à toa que num passado recente aplicou golpes em aposentados (por qual foi preso) e atualmente frequenta as palestras de Johnny Wu (Ken Jeong), um picareta de marca maior que vive do dinheiro dos tolos em busca de enriquecimento rápido.

Em sua alucinada busca do sonho americano, Lugo convence os amigos Adrian Doorbal (Anthony Mackie), um halterofilista miolo mole que sofre de impotência por uso excessivo de anabolizantes, e o igualmente brutamontes Paul Doyle (Dwayne Johnson), um ex-presidiário lunático que se diz cristão convertido, a acompanhá-lo numa tramoia arriscada onde pretende “limpar” um dos alunos da academia, o milionário pedante Victor Kershaw (Tony Shalhoub). Para tanto, o trio pretende sequestrar o sujeito e obrigá-lo a transferir todos os seus bens para eles. O plano, obviamente, não sairá como planejado.

Sem Dor, Sem Ganho é conduzido de forma tão absurda, que vez por outra, um letreiro surge na tela lembrando ao espectador que ele está assistindo uma fita “realmente baseada numa história real”. São tantas as situações inverossímeis que estas inserções soam como piada (e devem ser). Se o texto escrito por Christopher Markus e Stephen McFeely (dupla responsável por As Crônicas de Nárnia e Capitão América) pretendia fazer uma crítica à filosofia capitalista gringa – que ilude uma parcela da população com palestras motivacionais e pirâmides financeiras -, não deu certo. Ainda sem o completo domínio dos códigos e pecando novamente em favor da estética, o diretor mão pesada derruba a intenção do roteiro.

Típico operário padrão que trabalha 100% a favor dos estúdios, Bay é (re)conhecido por seu patriotismo fervoroso. O sujeito adora usar em suas obras cenas melodramáticas para reforçar a comoção norte-americana – é sempre bom lembrar que o cinema é o segundo item de exportação dos EUA. Não faltam em seus filmes, bandeiras tremulando ao vento e personagens que representam o arquétipo do herói ufanista disposto a se sacrificar pela nação. Neste quesito, a película ganha uns pontos por tirar sarro do patriotismo e do american-way-of-life tão venerados por seu realizador.

Ainda que Michael Bay meta os pés pelas mãos em sua tentativa de parecer “sério”, o maior prejuízo do longa é sua narrativa que não se decide entre o drama criminal ou a comédia de erros politicamente incorreta. Junte a isso um trio de protagonistas antipáticos e você tem ideia do caos (em todos os sentidos) que vai encontrar. Excessivamente longo – tem mais de duas horas de duração -, caso Sem Dor, Sem Ganho tivesse perdido umas gordurinhas na mesa de edição certamente seria mais plausível e, quem sabe, mais palatável.

(2.5/5)
Sem Dor, Sem Ganho (Pain and Gain)
Estados Unidos, 2013 – 129 min.
Direção: MiChael Bay. | Roteiro: Christopher Markus e Stephen McFeely.
Elenco: Mark Wahlberg, Dwayne Johnson, Anthony Mackie, Tony Shalhoub, Ed Harris.

  • Dms

    Filme animal de bom …