Crítica: Se Puder… Dirija!


Produção da Total Filmes em parceria com a Buena Vista International, Se Puder… Dirija! é o “primeiro filme nacional gravado em em live action usando tecnologia 3D”. Dirigida por Paulo Fontenelle (Intruso) – que rodou o longa com as mesmas câmeras utilizadas em O Espetacular Homem-Aranha -, a comédia não está entre os melhores trabalhos tridimensionais, embora os efeitos convençam. No quesito roteiro, é uma experiência sonolenta para quem está contando com uma história inteligente e longe de bobeiras – típicas das últimas obras do gênero feitas no Brasil. Pior ainda para quem espera, atraído pelo título, uma fita de ação brazuca a la Velozes & Furiosos ou algo similar.

A história gira em torno de João (Luis Fernando Guimarães) um manobrista que vive deprimido por estar longe de sua família após o divórcio. Certo dia, após tomar aquela bronca da ex-mulher (Lavínia Vlasak) por chegar atrasado em mais um aniversário do garoto, João resolve se tornar um pai mais presente e convida seu filho Quinho (Gabriel Palhares) para passar o dia com ele. Obviamente as coisas não saem como planejado e a dupla se envolve numa série de confusões no que era para ser um dia de diversão entre pai e filho.

Os imprevistos por qual passam os dois supostamente tinham o objetivo de fazer rir, mas não é isso que acontece. Situações forçadas – que dificilmente iriam acontecer no mundo real – são despejadas na tela transformando o enredo em uma grande confusão. Os personagens (rasos) interagem de maneira superficial e circulam pela trama como se estivessem em um desfile de moda. O protagonista, interpretado pelo comediante Luis Fernando Guimarães (Os Normais), é um pobre coitado perdido em cena. Sem objetivo fixo, fica vagando entre as toscas sequências – que envolvem assaltos, atropelamentos e até um parto.

Uma das coisas que mais incomodam é a exposição excessiva de logotipos de patrocionadores. O maior exemplo é o local onde o personagem João trabalha como manobrista, frenquentado apenas por automóveis de uma famosa marca francesa. Outro fator irritante (e vergonhoso) são as participações especiais de Lívia de Bueno e Reynaldo Gianecchini. Os efeitos no cabelo da personagem feminina e o charme forçado do outro, vivendo um ciclista, deixam o público atônitos com tamanha bobagem.

Por fim, a experiência em 3D de Se Puder… Dirija! cai por terra sabotada por uma história fraca que não justifica o ingresso mais caro. A tecnologia de imersão é apenas um capricho para atrair o espectador, que não acrescenta em nada a interação com público. Se for ver o filme, opte pela versão 2D. O prejuízo será menor.

(1.5/5)
Se Puder… Dirija!
Brasil, 2013 – 84 min.
Direção e Roteiro: Paulo Fontenelle.
Elenco: Luis Fernando Guimaraes, Leandro Hassum, Lavínia Vlasak, Bárbara Paz.