Crítica: Flores Raras


Apesar de possuir uma cinebiografia de respeito no Brasil e exterior, o diretor Bruno Barreto (Dona Flor e seus Dois Maridos, O Que É Isso, Companheiro?) penou para conseguir dinheiro para o seu 19ª longa-metragem. Nem mesmo os expressivos nomes de Glória Pires (Se Eu Fosse Você) e Miranda Otto (O Senhor dos Anéis) foram suficientes para que empresas financiassem a história de um triangulo amoroso homossexual baseado no livro “Flores Raras e Banalíssimas” de Carmem L. Oliveira. Uma co-produção da Globo Filmes, Imagem Filmes e Teleimage ajudou o longa a sair do papel.

Flores Raras é a cinebiografia de Elizabeth Bishop, considerada um das melhores poetas dos Estados Unidos, que numa fuga criativa forçada por seu editor vem parar no Brasil da década de 1950. Na nova morada, ela reencontra uma amiga de sua época de colégio, Lota, uma arquiteta de renome no Rio de Janeiro na época. A química entre as duas mulheres se constrói rapidamente, passando de abnegação a uma paixão avassaladora.

Apesar do tema “polêmico”, a história não se resume a isto. O sentimento mútuo traz mudanças significativas na vida das duas personagens. O filme constrói uma dualidade interessante ao colocar a perspicaz e orgulhosa Lota (Pires) perdendo o chão em seu mundo profissional, enquanto que a tímida e pessimista Elizabeth (Otto), se reencontra em meio à mudança de ambiente e refaz seu nome, ganhando notoriedade internacional. A situação política por qual passava o Brasil na época, próximo de uma ditadura militar, também é explorada pelo roteiro.

O elenco é uma das melhores coisas da fita. Gloria Pires, falando um inglês quase sem sotaque, está bem à vontade em sua personagem, mesmo nas difíceis cenas de lesbianismo. Apesar de toda sua experiência nas novelas e no cinema, ainda assim ela não é páreo para a australiana Miranda Otto, que entrega uma performance memorável no papel da antissocial e depressiva poetisa gringa. Destaque também para a atuação serena e contida de Tracy Middendorf, que faz Mary, a namorada escanteada por Lota.

Algumas subtramas mal desenvolvidas que pouca influência trazem a história e o perceptível uso do chroma key em algumas sequências prejudicam e afetam o ritmo, mas não a ponto de estragar a película – que possui uma excelente direção de arte, fotografia e outros atributos positivos. Até porque o filme não é um simples entretenimento. Flores Raras é sobre Elizabeth, mas acima de tudo trata de amor e perda, do reencontro de um valor pessoal, da busca incessante por um lugar ao sol. Uma obra sensível, um dos melhores trabalhos recentes do diretor Bruno Barreto.

(4/5)
Flores Raras (Reaching For The Moon)
Estados Unidos, 2013 – 118 min.
Direção: Bruno Barreto. | Roteiro: Matthew Chapman e Julie Sayres.
Elenco: Glória Pires, Miranda Otto, Tracy Middendorf, Marcello Airoldi, Treat Williams.

  • Mariane

    Nossa, parece ser um filme muito bom. E que fotografia perfeita é está, hein? Muito lindo *-*

  • Fulano

    Bah, maior crítica, filme épico!