"Hannibal": antropofagia também na telinha


Hannibal

Para os aficionados pela série de livros de Thomas Harris ou suas adaptações cinematográficas sobre o serial-killer mais empático dos últimos tempos, Hannibal Lecter, saibam que ele agora entrou para a lista de séries de TV que abordam assassinos seriais, que já não é assunto novo. Dexter está na estrada faz tempo – a oitava temporada será a última – e The Following chegou para ficar, natural pensar que um personagem tão encantador como Lecter mereça também ter seu espaço na telinha.

Hannibal toma em sua maioria elementos do livro/filme Dragão Vermelho e aposta num bom time de atores em cena: Lawrence Fishburne, o Morpheus de Matrix, vive o papel de Jack Crawford, o chefe do setor comportamental da FBI responsável pela contratação do instável agente Will Graham (o britânico Hugh Dancy) enquanto o dinamarquês Mads Mikkelsen (do excepcional A Caça) vive o canibal ainda jovem.

Seguindo os moldes dos filmes Silêncio dos Inocentes, Hannibal e do citado Dragão Vermelho, Lecter é o personagem principal, mas não o protagonista. O seriado, tem Graham – interpretado nos cinemas por Edward Norton – como o herói, um sujeito excêntrico e totalmente avesso ao contato social, mas dotado de uma mítica habilidade em compreender a mente dos assassinos que investiga. O agente é um espécie de Sherlock Holmes moderno e as cenas onde ele monta o perfil comportamental dos serial-killers – reconstruídas com recursos gráficos que remetem a um flashback sob o ponto de vista do próprio Graham – são fortes e realistas.

O elenco principal de "Hannibal"A falta de cenas sob ponto de vista do canibal é um ponto negativo, mostrando uma primeira vítima sua em cena apenas no sexto episódio. Ao invés disso, quem recebe total atenção é mesmo o protagonista e sua estranha habilidade. Então, assista a série saboreando os episódios lentamente e aguarde a entrada de Hannibal em ação como quem espera pela sobremesa. Mikkelsen, apesar de bastante talentoso, faz um Lecter sutil e calculista, bem diferente do vivido por Anthony Hopkins, cheio de malícia e a agressividade enjaulada, que só bastava um olhar para amedrontar tanto suas vítimas quanto o espectador.

O forte do programa televisivo é o foco diferenciado em cima de um tema já conhecido, da polícia investigativa. A série também criou tramas interessantes para os personagens secundários, como é o caso de Crawford, que apresenta dificuldades no casamento e acaba se envolvendo com o psiquiatra classudo, convencendo-o a supervisionar Graham e mantê-lo nos eixos. Ao nomear Hannibal como consultor especial do FBI, acaba fornecendo ao canibal, acesso irrestrito aos bastidores e arquivos dos crimes praticados por outros sociopatas.

O episódio sete é um divisor de águas, quando Lecter finalmente ganha um enorme tempo em cena, como se víssemos a narrativa através de seus olhos. Isso define o personagem não mais como o “médico estranho”, mas como um sujeito camaleão extremamente interessante. Neste capítulo passamos por outros pacientes, uma vida social e suculentos momentos gastronômicos — lembrando a estranha abertura de Dexter —, além de uma tensão crescente entre Will e Lecter que provocam frio na espinha.

Hannibal é uma proposta interessante, que se torna cada vez mais divertido a cada novo episódio, a medida que a trama vai avançando e o espectador se “desprendendo” dos atores que interpretaram estes personagens no cinema. Exibido todas as terças às 22h no canal AXN, o seriado já foi renovado para um segundo ano. Esta primeira temporada terá 13 episódios e a previsão de lançamento em DVD e Blu-ray é em novembro. Vá separando um dinheirinho, porque a série merece estar em sua coleção. E lembre-se: uma ótima alternativa para economizar na hora de adquirir seus filmes e livros favoritos é visitar a CupoNation. Lá você encontra os melhores cupons de descontos em cultura e outros serviços para as principais lojas online.

  • João

    Adorei o texto, muito bom. Mas, só pra constar, o Hannibal do Hopkins é do jeito que é pelo fato de nos filmes ele já ser um serial killer conhecido e tal, então não precisa mais se esconder. Na série, Lecter não quer ser preso (ou whatever, deu pra entender) então ele é frio e calculista para se manter nas sombras, mas não deixando de ser um ser extremamente amedrontador (Mikkelsen faz um ótimo trabalho, já visto em Casino Royale, com um papel mais ou menos parecido, onde deve ser calmo quando precisa e extremamente sinistro quando precisa). São complementares os dois "Hannibals". Quanto série, é perfeita demais. Todos os atores são excelentes e tem uma trama perfeita, acontecendo antes de Dragão Vermelho.