Crítica: American Mary


American Mary é o segundo filme escrito e dirigido por Jen e Sylvia Soska, irmãs gêmeas canadenses que também atendem pelo apelido de “Twisted Twins”. O primeiro longa das garotas foi o terror independente Dead Hooker in a Trunk, mas ao contrário do filme de estreia, American Mary não é trash, nem cômico. A história e a montagem contêm ingredientes de um filme de horror de alto escalão.

Na trama, conhecemos Mary (Katharine Isabelle, de Ginger Snaps), uma talentosa estudante de medicina que pouco a pouco é levada para um universo distante da cirurgia convencional, mas muito próximo do subterrâneo mundo da modificação corporal extrema. Este é um filme tão singular que já foi rotulado como o primeiro grande filme de Body Mod Horror. É sádico e psicológico, recheado de cenas bizarras e perturbadoras, proporcionando também ao expectador momentos de tensão e tristeza.

Este conto criativo de body modification, escrito sob uma visão feminista, conta com personagens autênticos e ótimas performances. As personagens do filme são honestas e críveis, combinando falhas e pontos fortes, uma prova da habilidade de escrita das gêmeas. A fita, inclusive, conta com um aparição cameo das Soska, em uma das cenas mais intrigantes.

A inesquecível Beatress Johnson (Tristan Risk) é sem dúvida uma das presenças mais fortes da película, provocando uma reminiscência de Freaks, de Tod Browning. Assim como Browning retratou a sociedade “regular” como bestial e cruel, destacando o sentimento de camaradagem que existia entre os exilados, Mary analisa o tema de forma semelhante.

As Soska conseguiram se desviar de quase toda armadilha e estereótipo, em uma direção com estilo próprio e sem medo de tiros no escuro. Cheio de técnicas esquecidas do cinema, o filme exibe uma paleta de cores para as mudanças psicológicas subliminares transmitidas para o espectador. O preto e o vermelho, cor da morte e do amor (e sangue) respectivamente, dominam as cenas-chave da obra e se misturam com o ambiente. Mais que a maioria dos longas de terror moderno, o projeto teve grande atenção a cada detalhe, permitindo que a fotografia, iluminação e trilha trabalhassem em conjunto como pano de fundo para ajudar a impulsionar a história.

O final deixa a desejar, mas American Mary é uma fuga da mesmice. Não é apenas um filme de horror muito bem feito, é um ponto de virada. Eu não tenho dúvidas de que Jen e Sylvia estão no caminho para se tornar lendas do gênero, é só esperar.

American Mary (American Mary)
Canadá, 2012 – 103 min.
Direção e Roteiro: Jen Soska e Sylvia Soska.
Elenco: Katharine Isabelle, Antonio Cupo, Tristan Risk, Paula Lindberg.

  • Jessica Pouchain

    Achei o filme muito bom, pelo fato de esta totalmente deferente do outros filmes do genero. simplesmente perfeito o filme, o fim não foi o esperado. sempre vejo suas dicas de filme, e ainda não me decepcionei. obrigada getro. rs

  • DTGSN

    1:36 wowowoowowowoowwow acho que vou assistir.