Crítica: Chamada de Emergência


Existem filmes que escondem as informações do espectador para instigar o pensamento do mesmo (incentivando-o a assistir novamente); existem também aqueles que apresentam questões e não as respondem (já que isso não é importante para a narrativa); e existem aqueles que duvidam da inteligência do seu público, não só entregando as respostas para todas as suas perguntas, como também reforçando essas (desnecessárias) explicações. Chamada de Emergência, novo longa do irregular Brad Anderson (O Operário), se encaixa nessa última definição.

Escrito por Richard D’Ovidio (Treze Fantasmas), o roteiro acompanha uma atendente do serviço de emergências 911 que, certa noite, recebe a chamada de uma garota sendo perseguida por um estranho homem. Depois que o resultado dessa operação não sai da maneira esperada, Jordan (Halle Berry) abandona o posto de atendente, não suportando mais a pressão inerente ao cargo. Meses se passam até ela acaba atendendo (ainda que a contragosto) a ligação de Casey (Abigail Breslin), uma jovem que foi sequestrada Jordan, então, faz de tudo para que a jovem não tenha o mesmo destino trágico da garota que ela não conseguiu ajudar.

O texto de D’Ovidio (e a direção de Anderson) é tão esquemático e explicativo que em certos momentos chega a ofender a inteligência do espectador, ao sentir a necessidade de apresentar, reforçar e ilustrar cada dado fornecido: desde o telefone pré-pago, cuja ausência de chip o torna quase impossível de rastrear (algo que é dito três vezes); até a revelação da identidade do sequestrador (que ficamos sabendo pela expressão da atriz, revisamos em um flashback, e temos a confirmação quando ela mesma fala em voz alta).

Utilizando-se de um amontoado de clichês sem qualquer nexo – as motivações do assassino são esclarecidas através de uma série de fotografias que mais parecem uma apresentação de power point –, o filme não consegue nem cumprir as promessas que ele mesmo faz. Em certo momento, por exemplo, o vilão fala pra sua vítima não entrar num certo quarto da casa, pois vai se arrepender do que vai ver lá (informação que o diretor faz questão de esconder inicialmente). E quando finalmente é visto o tal cômodo, ele é nada impactante – ainda mais se levarmos em conta tudo que a menina já viu até então.

Pra piorar, ainda é sacrificado o único elemento interessante da narrativa, a impotência da atendente em relação aos crimes que acontecem na rua, ao tentar transformá-la numa espécie de heroína urbana. E se tudo isso não é suficiente (e pra fechar com chave de ouro), Chamada de Emergência termina passando uma mensagem moralmente errada (e um tanto criminosa) na sua resolução. Precisa de mais alguma coisa?

(1/5)
Chamada de Emergência (The Call)
Estados Unidos, 2013 – 93 min.
Direção: Brad Anderson. Roteiro: Richard D’Ovidio.
Elenco: Halle Berry, Abigail Breslin, Morris Chestnut, Michael Eklund, Michael Imperioli.

  • Milla

    Assim, eu gostei do suspense, da agonia que dá, apesar de passar um pouco do ponto. E achei falho o desfecho posto que Jordam poderia ter tomado atitude no momento em que detecta o que esperava. Fora isso e o clichê do celular, achei até interessante.