Crítica: Killer Joe – Matador de Aluguel


Desde 2011, quando protagonizou o ótimo O Poder e a Lei, Matthew McConaughey vêm escolhendo com cuidado o seus papeis. Depois de estrelar filmes significativos ao lado de diretores consagrados no final da década de 1990 – Lone Star de John Sayles, Contato de Robert Zemeckis, Amistad de Steven Spielberg -, o astro vestiu a carapuça (fácil) de galã no início dos anos 2000, em produções esquecíveis voltadas apenas ao público feminino – O Casamento dos Meus Sonhos, Como Perder um Homem em 10 Dias, Armações do Amor. Agora, parece estar disposto passar sua carreira a limpo: seus cinco últimos trabalhos foram bastante elogiados, entre eles este Killer Joe – Matador de Aluguel.

Na história, Chris Smith (Emile Hirsch) é um jovem problemático viciado em drogas que têm um plano “brilhante” para livrar-se do débito com seu traficante: contratar Joe Cooper (McConaughey), um policial durão que atua como assassino freelancer, para matar sua mãe e recolher o seguro de vida de US$ 50 mil, já que Chris é o único beneficiário. Para tanto, conta com o apoio de Ansel Smith (Thomas Haden Church), seu pai desajustado e a segunda esposa dele, Sharla (Gina Gershon).

O problema é que Joe só trabalha com pagamento adiantado e os Smith não dispõem de um centavo no bolso. Desesperados, aceitam a proposta indecorosa do metódico matador: entregar Dottie (Juno Temple, excelente) a irmã mais nova de Chris, de apenas doze anos e que aparenta ter algum retardo mental, como “caução” pelo serviço. O plano, obviamente, não sai como esperado e a medida que o filme avança, a trama vai se complicando ainda mais, culminando num festival de violência.

Niilista e carregado de humor negro, Killer Joe pode incomodar o espectador desavisado. Adaptado para às telas por Tracy Letts – a partir de uma história escrita por ele próprio em 1993 para o teatro -, roteirista adepto do “Southern Gothic”, movimento literário que explora personagens desfuncionais e situações perturbadoras, o longa é carregado de crueza e sordidez. A cena inicial, onde a bela Gina Gershon protagoniza um momento “Claudia Ohanesco” é o sinal de aviso que muitas outras sequências incômodas virão em seguida – se você gosta daquelas coxinhas de galinha empanadas do Kentucky Fried Chicken, prepare-se para rever seus conceitos.

Se Killer Joe – Matador de Aluguel funciona como um eficiente e delirante thriller policial, parte da reverência precisa ser feita ao diretor William Friedkin (O Exorcista, Operação França). O veterano cineasta que realizou nada significativo nos últimos 30 anos – desde Parceiros da Noite com Al Pacino – mostra que não está enferrujado, conduzindo seu filme com total domínio de cena e extraindo atuações fortes de todo o elenco, sobretudo MConaughey, que transmite uma aura poderosa e assustadora. Nunca criaturas sem qualquer resquício de caráter foram tão interessantes.

(4/5)
Killer Joe – Matador de Aluguel (Killer Joe)
Estados Unidos, 2011 – 102 min.
Direção: William Friedkin. Roteiro: Tracy Letts.
Elenco: Matthew McConaughey, Emilie Hirsh, Thomas Haden Church, Juno Temple, Gina Gershon.

  • Enio

    Ser amoral e divertir ao mesmo tempo são pra poucos, que o diga Tarantino. Este aqui não diverte e nem choca… só consegue enojar.

    E.G.O