Crítica: O Último Desafio


Desfilando uma grande coleção de pares de sapato, Arnold Schwarzenegger está de volta às telonas como protagonista de um longa-metragem de ação após uma experiência política no Governo da Califórnia por dois mandatos consecutivos. Em O Último Desafio, dirigido pelo sul-coreano Jee-woon Kim (O Mistério das Duas Irmãs), que faz sua estreia em Hollywood, o brutamontes interpreta um emburrado xerife às voltas com um perigoso traficante de drogas na fronteira entre Estados Unidos e México.

Na trama, acompanhamos a saga do xerife Ray Owens (Schwarzenegger), um durão homem da lei que abandonou há muitos anos uma carreira repleta de méritos na divisão de narcóticos em Los Angeles para ter a vida pacata que sempre almejou numa pequena cidade do interior. Certo dia, após suspeitar de uma conversa estranha entre dois homens no bar local, ele descobre o mirabolante plano de fuga de um temido chefão do narcotráfico que está sob custódia do FBI. Assim, reunindo a minúscula força tarefa que têm em mãos, fará de tudo para deter os planos do bandidão – que envolve cruzar a fronteira, passando pela cidade de Owens dirigindo um carro ultra-veloz, capaz de atingir 300km/h.

Este faroeste motorizado oferece apenas um fiapo de história recheado com cenas de ação estilizadas. Tudo serve ao propósito para um grande desfile de marcas de automóveis, onde a câmera, às vezes, desvia seu foco dos atores para dar atenção aos logotipos e nomes dos veículos – cujos fabricantes certamente ajudaram a financiar projeto. “Product Placement” é uma coisa que acontece com frequência no cinema, mas nesse caso há alguns exageros.

O núcleo cômico da trama praticamente segura o filme, entre uma e outra bem filmada cena de fuga e/ou perseguição. Schwarza até quando quer ser sério se torna cômico, visto suas limitações como ator. O gordinho Luis Guzmán também é engraçado, mas o melhor ator da fita, sem dúvidas, é Johnny Knoxville. O líder do Jackass está hilário do começo ao fim, disparando a todo tempo o seu arsenal de bobagens. O brasileiro Rodrigo Santoro, infelizmente, têm pouco destaque, no papel de um veterano de guerra.

Ainda que peque (e muito) em alguns elementos e cenas desnecessárias, O Último Desafio têm boa direção e por incrível que pareça, diverte. A fórmula utilizada pelo roteirista Andrew Knauer é basicamente a mesma do recente Os Mercenários 2, ora oscilando cenas de violência com humor ora misturando as duas coisas de forma exagerada. Para quem curte filmes de ação descerebrados é um prato cheio.

(3/5)
O Último Desafio (The Last Stand)
Estados Unidos, 2012 – 107 min.
Direção: Kim Jee-woon. | Roteiro: Andrew Knauer.
Elenco: Arnold Schwarzenegger, Luis Guzmán, Johnny Knoxville, Forest Whitaker, Rodrigo Santoro.

  • Pareceu que a crítica foi feita sem ver o filme, o papel do Santoro é maior que o do Knoxville (apesar dos trailers dizerem o contrário) ele some boa parte do filme na hora da ação o brasileiro é mais importante…