Crítica: O Resgate


Em 1991, depois de estrelar a tranqueira Harley Davidson e Marlboro Man, Mickey Rourke, astro de produções marcantes como Coração Satânico (1987) e 9 1/2 Semanas de Amor (1986), insatisfeito com o rumo de sua carreira e atendendo um sonho de infância, decidiu se tornar lutador de boxe profissional. Nos três anos seguintes, participou de oito lutas onde levou muita porrada, acumulando fraturas e lesões – que acabaram desfigurando seu rosto, o que levou-o a recorrer a cirurgias plásticas para reconstruir sua face. Depois disso, Rourke ainda cometeu alguns “pecados” cinematográficos mas conseguiu colocar a carreira nos eixos – entre seus últimos filmes estão Homem de Ferro 2, Os Mercenários, Sin City e o Lutador, pelo qual foi indicado ao Oscar de Melhor Ator.

Nicolas Cage devia fazer o mesmo. Talvez levar umas boas porradas (de verdade) na fuça trouxesse algum juízo ao astro oscarizado como Melhor Ator por sua performance em Despedida em Las Vegas (1995). Até entendo que a dívida milionária do sujeito com a Receita Federal dos Estados Unidos tenha influenciado e muito na escolha de projetos furrecas como este O Resgate – Cage que devia 14 milhões de dólares ao fisco em 2009, já pagou metade do montante, participando de afrontas como Reféns, O Pacto, Fúria Sobre Rodas e Caça às Bruxas, todos de 2010 -, mas chega um momento onde é preciso ter bom senso e amor próprio.

Dirigido pelo britânico Simon West, que já trabalhara com Cage em Con Air: A Rota da Fuga – e segundo alguns tabloides estaria tentando convencê-lo a participar de Os Mercenários 3 -, este thriller de roubo é mais do mesmo dentro da atual filmografia “cageana”: trama frouxa, personagens rasos, atuações canastronas, cenas de ação banais e clichês, muitos clichês. A sequência de abertura até que não é ruim e engana momentaneamente ao apresentar uma interessante perseguição de carros em alta-velocidade onde o protagonista, um esperto ladrão de bancos, dirige na contramão.

Cage é Will Montgomery, larápio que é condenado a prisão acusado de roubar 10 milhões de dólares. Depois de cumprir pena por oito anos, sai todo arrependido, disposto a recompensar o tempo perdido com a filha, que não viu durante este tempo. Acontece que seu ex-parceiro de crimes, Vincent (Josh Lucas, bizarro), dado como morto, reaparece e sequestra a garota. Ele acredita que Will escondeu a grana antes de ser grampeado pela polícia e agora quer sua parte do dinheiro. Sem um centavo no bolso, agora Will terá que roubar um outro banco, de preferência sem chamar à atenção do detetive Harlend (Danny Huston), um antigo desafeto.

O Resgate é uma grande perda de tempo e dinheiro, onde algumas cenas chegam a ofender a inteligência do espectador – Cage consegue roubar quilos de barras de ouro em cinco minutos – e as atuações são deploráveis. A pior delas fica por conta de Josh Lucas, interpretando um deformado vilão – uma amálgama de mendigo, Robocop e… Mickey Rourke – extremamente caricato, e que apesar dos arroubos de violência, nunca soa verdadeiramente ameaçador. Um longa indicado exclusivamente para os fãs xiitas do Sr. Nicolas Kim Coppola, que não se incomodam em vê-lo passar vergonha nestas produções medíocres e descartáveis.

(1.5/5)
O Resgate (Stolen)
Estados Unidos, 2012 – 96 min.
Direção: Simon West. | Roteiro: David Guggenheim.
Elenco: Nicolas Cage, Danny Houston, Josh Lucas, Malin Åkerman, Sami Gayle.