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Crítica: As Aventuras de Pi


Primeiro trabalho do diretor Ang Lee (O Segredo de Brokeback Mountain) utilizando a tecnologia 3D, As Aventuras de Pi é uma impressionante viagem sensorial. Adaptação do livro Life of Pi, escrito pelo canadense Yann Martel – que usou como inspiração uma passagem de Max e Os Felinos, romance do brasileiro Moayr Scliar -, seu roteiro já circulava há algum tempo pelos estúdios hollywoodianos, mas nenhum realizador estava disposto a tocar o projeto por considerá-lo “infilmável”. Felizmente, não foi o que enxergou o cineasta taiwanês, que alimentava desde 2001 – quando o best-seller foi publicado – a ideia de transpor a belíssima obra para as telas. O tempo passou e o avanço tecnológico possibilitou Lee concretizar o seu desejo.

O Pi do título é o jovem Piscine Patel (Shuraj Sharma), filho do proprietário de um zoológico localizado em Pondicherry, na Índia. Após anos cuidando do negócio, os pais do garoto decidem fechar o lugar, uma vez que a prefeitura local retirou a ajuda financeira que custeava parte do empreendimento. A ideia dos Patel é se mudar para o Canadá, um local mais calmo para criar os filhos, onde poderiam vender os animais para reiniciar a vida.

Os planos da família vão, literalmente, por água abaixo quando o navio cargueiro onde todos viajam acaba naufragando no meio do Oceano Pacífico, devido a uma forte tempestade. Pi consegue sobreviver em um minúsculo bote salva-vidas, mas precisa dividir o pouco espaço disponível com uma zebra, um orangotango, uma hiena e um arisco tigre de bengala – chamado Richard Parker -, além de algumas moscas de banana.

Ang Lee, cuja sensibilidade já nos brindou com obras impares – O Segredo de Brokeback Mountain, Desejo e Perigo – realiza aqui um dos seus trabalhos mais brilhantes. Seu longa-metragem cativa o espectador desde os primeiros minutos, seja por sua plasticidade – a estonteante fotografia do chileno Claudio Miranda certamente receberá uma indicação ao Oscar -, seja por sua história tocante, cheia de analogias ao homem e a religião.

No entanto, para desfrutar da película em toda a sua plenitude, o ideal é assisti-la em sua versão 3D. A beleza do filme e seu tom onírico – apesar da história ser contada de forma bem verossímil – ganham contornos mais interessantes com os recursos tridimensionais. Usada de forma fantástica pelo diretor – semelhante ao que Martin Scorsese conseguiu em A Invenção de Hugo Cabret -, a “nova” tecnologia trabalha em consonância com a linguagem visual empregada na obra.

As Aventuras de Pi é uma intensa experiência cinematográfica que nos faz refletir sobre a essência da vida, a busca da fé e as atitudes tomadas diante das adversidades. Um ótimo programa para o final de ano, época em que costumamos ponderar sobre o ciclo que se fecha e o novo que está por vir.


As Aventuras de Pi (Life Of Pi)
Estados Unidos / China, 2012 – 127 min.
Direção: Ang Lee. | Roteiro: David Magee.
Elenco: Suraj Sharma, Irrfan Khan, Ayush Tandon, Rafe Spall, Gérard Depardieu.

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7 Comentários

  1. Filme brilhante! Sensacional! Mais que uma recomendação,é uma obrigação assistir esse filme,rs
    E o 3D está incrivel

  2. Esse foi um dos melhores filmes em 3d que ja assisti, muito bom, vale muito a pena, esse mes assisti os penetras, o hobbit e as aventuras de pi, sensacional, pi foi o melhor, muito bacana.

  3. esse filme é f-a-n-t-á-s-t-i-c-o!!!! O que tem de singelo tem de bonito! Efeitos visuais maravilhosos, 3d usado na medida certa e uma boa e inteligível história, que não viaja na maionese e apesar de trazer algumas frases meio de efeitos, elas funcionam muito bem no contexto.

  4. Olá Getro! Fiquei impossibilitado de assistir em 3D e imagino que realmente o espetaculo visual seja mais impressionante ainda com essa tecnologia! Mas mesmo em 2D o filme é belíssimo, emocionando a plateia da mesma maneira. Abs!

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