Crítica: Gonzaga – De Pai para Filho


Transpor para as telas a carreira musical (e pessoal) de Luiz Gonzaga e Gonzaguinha, dois ícones da música popular brasileira, não é uma tarefa fácil. Ainda mais quando as vidas (interligadas) destas duas figuras são marcadas por dramas intensos, polêmicas e reviravoltas. Felizmente, para nós, espectadores, o projeto Gonzaga – De Pai para Filho foi parar nas mãos do diretor Breno Silveira e da roteirista Patricia Andrade – parceiros na cinebiografia Dois Filhos de Francisco, sobre a dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano -, profissionais hábeis em contar uma história emocionante sem apelar para a pieguice.

A história cobre cinco décadas da história do Brasil (de 1929 a 1981) e é narrada do ponto de vista de Gonzagão (Adélio Lima), que relembra toda a sua difícil trajetória, desde a infância quando era trabalhador rural em Exu, município de Pernambuco, até se transformar no músico consagrado em todo o Brasil. Entre estes dois polos distintos, descobrimos sua fascinação pelo acordeon, o desapego pela família – Luiz vivia pela estrada, desbravando o sertão nordestino – e a determinação em conquistar seu lugar à sombra, indo em direção ao sul do país para viver de música.

Luiz Gonzaga cativava o público por sua simplicidade e naturalidade. Paradoxalmente, não tinha o menor jeito para lidar com o filho Gonzaguinha. Fruto de uma relação extraconjugal, o garoto é praticamente criado por Dina (Silvia Buarque) e Xavier (Luciano Quirino), casal de amigos que recebe Gonzagão no Rio de Janeiro. Ignorado pelo pai e mal-tratado pela madrasta Helena (Ana Roberta Gualda), Gonzaguinha cresce nutrindo mágoa e revolta – sentimentos que servem de inspiração para memoráveis canções de protesto, verdadeiros “hinos” para a geração dos anos 1970/80, ávida por liberdade em tempos de repressão política.

Entregar apenas a Breno e Patricia todos os méritos pelo longa, seria uma injustiça. A bela fotografia combinada com os clássicos do cancioneiro nordestino – “Asa Branca”, “Luar do Sertão”, “Baião de Dois” – é arrebatadora. O mesmo pode ser dito dos atores que interpretam os Gonzagas em suas várias fases. Destacam-se o músico Chambinho do Acordeon (que faz Gonzaga dos 27 aos 50 anos), surpreendente, ainda que sem experiência dramática. e o gaúcho Júlio Andrade, praticamente uma reencarnação de Gonzaguinha em sua fase adulta.

Mesmo aqueles não familiarizados com as obras musicais dos dois artistas, facilmente serão fisgados pelo filme. Isto porque Gonzaga – De Pai Para Filho aborda um tema de fácil identificação – a relação conflituosa entre pai e filho – contada de forma eficiente através de um arco dramático bem desenvolvido. Nostálgico, enternecedor e tecnicamente impecável, esta belíssima homenagem a estes dois homens chega em boa hora: Luiz Gonzaga completaria 100 anos no mês dezembro.]

(3/5)
Gonzaga – De Pai para Filho
Brasil, 2012 – 122 min.
Direção: Breno Silveira. | Roteiro: Patricia Andrade.
Elenco: Chambinho do Acordeon, Julio Andrade, Adélio Lima, Nanda Costa, Domingos Montagner.

  • Ramón

    E u acho que o cinema brasileiro não existe pq esses filmes são todos mixurucas, em pensar que países bem menores produzem filmes de qualidade, aff e pra completar aki onde moro por causa desse filme os outros filmes internacionais serão exibidos legendados comoooooo se isso fosse instigar o povo a assistir essa bosta, eu já assisti alguns filmes brasileiros bons mais em si para mim um país só é considerado como produtor de filmes se over variedade, e não só comedia e drama