Crítica: As Vantagens de Ser Invisível

Dirigido e escrito por Stephen Chbosky baseado no livro de sua autoria, As Vantagens de ser Invisível tinha tudo para ser mais uma historinha ordinária sobre adolescentes e muita bobagem. Felizmente, Chbosky leva sua obra na direção oposta, brindando o público com uma película muito verdadeira sobre as experiências de jovens em busca de descobertas e realizações. Encantador, o filme mostra o rito de passagem da adolescência para a vida adulta, seus mistérios e suas surpresas, embalado por cativantes canções românticas que marcaram outras gerações – The Smiths, Cocteau Twins e Crowded House.

Na trama conhecemos Charlie (Logan Lerman, o D’Artagnan da nova versão de Os Três Mosqueteiros), um rapaz pacato e solitário de 15 anos que sofre por não ter amigos. Com o início do ano letivo ele tem mais uma chance de conseguir aumentar o seu círculo social (que basicamente se restringe a seus irmãos). Após algumas situações constrangedoras e o início de uma amizade com seu professor de literatura (Paul Rudd), Charlie conhece Patrick (Ezra Miller) e Sam (Emma Watson, a Hermione de Harry Potter), um casal de meio irmãos que fazem parte da turma dos descolados.

Apesar das diferenças de comportamento, Charlie se sente bem aceito por seus novos amigos e assim uma grande amizade vai crescendo. Quando achamos que a história é só essa, paralelos em analogias dramáticas mostram passados tristes e sofridos, cheios de revelações escondidas restando apenas o poder da fraternidade contra todas essas coisas tristes do mundo. Quando o roteiro encaixa cenas tocantes com a música oitentista, a emoção aumenta – rendendo até uma singela homenagem à The Rocky Horror Picture Show, numa das melhores sequências do longa.

Embora Chbosky nunca situe o ano em que o filme se passa, a comédia dramática tem uma atmosfera retrô bem legal, recheado de fitas cassetes, bailinhos estudantis e clássicos musicais rolando solto, em vitrolas de um, não tão distante, tempo. Mesmo nos momentos em que apela para alguns clichês no intuito de comover a plateia, o faz, sem comprometer seu charme. Os flertes, o primeiro beijo, as dúvidas existenciais, tudo é muito bem captado pela sensível lente do diretor. É uma visão madura e divertida sobre a adolescência.

Em relação à atuações, precisamos falar sobre Patrick. Ezra Miller, que já havia demonstrado seu talento no assustador Precisamos Falar Sobre Kevin, dá um show. O ator merece ser lembrado pelas premiações futuras, visto sua excepcional performance: tudo que ele faz dá certo e convence. Uma excelente visão desse ótimo personagem. É um dos grandes trunfos de As Vantagens de Ser Invisível, sem dúvida.

(4/5)
As Vantagens de Ser Invisível (The Perks of Being a Wallflower)
Estados Unidos, 2012 – 103 min.
Direção e Roteiro: Stephen Chbosky.
Elenco: Logan Lerman, Emma Watson, Ezra Miller, Paul Rudd, Dylan McDermott, Kate Walsh.