Crítica: Poder Paranormal

Depois do sucesso inesperado de “Atividade Paranormal” em 2009, o número de filmes explorando o ocultismo, sobretudo espíritos e fenômenos sobrenaturais, aumentou consideravelmente. Só nos próximos dois meses, cerca de quatro películas abordando este tema – A Aparição, A Entidade, Possessão e Atividade Paranormal 4 – estrearão nos cinemas. Apesar de beber na mesma fonte, Poder Paranormal vai na contramão da corrente, tomando partido da ciência ao buscar explicações lógicas para um assunto que tão bons re$ultados trouxe para a indústria cinematográfica.

Na trama, somos apresentados a Dra. Matheson (Sigourney Weaver) e seu assistente Tom Buckley (Cillian Murphy), dois investigadores de fenômenos paranormais. Séticos, para eles só existem dois tipos de pessoas com este “dom”: os que acreditam ter poderes especiais sem ter e os charlatães que acham que nunca serão desmascarados. Este lema é posto à prova diante de um dos vidente mais conceituados do mundo, Simon Silver (Robert DeNiro), recluso há 30 anos e de volta a mídia para novas apresentações.

Silver e a Dra. Matheson têm uma história no passado e ela prefere não confrontá-lo novamente, a contragosto de seu auxiliar. Buckley está convencido que o sujeito é um farsante embora sonhos, colheres entortadas e pássaros que se suicidam ao ouvir o nome do médium, semeiem a dúvida. A situação complica ainda mais quando Silver, disposto a provar para toda a comunidade científica do que é capaz, se oferece para testes na Universidade onde a dupla de investigadores trabalha.

Escrito e dirigido pelo catalão Rodrigo Cortez (do superestimado Enterrado Vivo), o longa começa com um bom pique, despertando a curiosidade do espectador, levando-o a crer estar diante de algo diferente. No segundo ato, entretanto, Cortés parece perdido com seu script e a empolgação diminui à medida que o longa passa a alternar entre sustos ocasionais e a promessa de grandes revelações, que nada acrescentam a trama nem se mostram assim tão importantes.

Poder Paranormal em momento alguma alça vôos mais longos e seu desfecho final é pouco impactante. Porém, o competente trio central – Weaver, Murphy, De Niro – e a qualidade do debate ciência x misticismo – visto que o cinema de entretenimento sempre se mostrou mais interessado em explorar as crendices populares do que elucidá-las – valem o ingresso. Ainda em tempo: “Red Lights”, a expressão que dá nome ao título original, refere-se às pistas deixadas pelo picaretas que permitem o seu desmascaramento.

(3/5)
Poder Paranormal (Red Lights)
Estados Unidos / Espanha, 2012 – 113 min.
Direção e Roteiro: Rodrigo Cortès.
Elenco: Robert DeNiro, Sigourney Weaver, Cillian Murphy, Elisabeth Olsen, Toby Jones.