Crítica: Os Infiéis

Os vencedores do Oscar Jean Dujardin (Melhor Ator) e Michel Hazanavicius (Melhor Diretor), repetem em Os Infiéis a parceria que os consagraram em O Artista. Sucesso na França, a comédia politicamente incorreta é dividida em nove esquetes, nove pequenas histórias, que giram ao redor (em relação à temática) da trama que começa e termina a película. Mesmo parecendo um tanto confuso à primeira vista, a produção é muito interessante, oferecendo trechos brilhantes (e outros nem tanto). Cada trama foi conduzida por um cineasta diferente. Além de Hazanavicius e do próprio Dujardin, que se arrisca pela primeira vez, dirigem também o longa Emmanuelle Bercot, Fred Cavayé, Alexandre Courtès, Jan Kounen, Eric Lartigau e Gilles Lellouche.

Na trama conhecemos diversos personagens que estão em dívida amorosa com as suas parceiras por viverem pulando a cerca. Há infiéis de todos os tipos: a dupla de amigos que pega várias mulheres em uma simples balada e almeja viajar pra Las Vegas; o masoquista que gosta de velhinhas; o “educadinho” que não resiste a um rabo de saia e trai a esposa o tempo todo; o dentista que namora uma ninfeta mas não consegue acompanhar a geração dela, entre outros.

O filme tem um ritmo que vai se modificando a medida que avança. Mistura histórias de flagras, discussões sobre traição e o pesar da consciência que volta e meia paira sobre a cabeça de alguns envolvidos. Um dos grandes méritos da película é saber abordar os diversas casos extraconjugais de forma simples, objetiva e engraçada. A trilha sonora também merece destaque, conseguindo ter um espaço marcante no meio das gags e piadas que a obra aborda, méritos para Pino D’Angiò e Evgueni Galperine.

Mas o maior crédito precisa mesmo ser dado a dupla dinâmica do cinema francês Jean Dujardin e Gilles Lellouche, que interpretam diversos personagens. Dujardin surpreende com sua versatilidade, depois do papel sem falas na obra que o consagrou. Muito à vontade, ele e Lellouche se alternam para viver os estereotipados protagonistas e se saem bem em todos os momentos. O entrosamento dos dois é algo que impressiona, fator mais comum no teatro, quando companheiros de cena estão trabalhando juntos à longo prazo.

Os Infiéis diverte, mas não é perfeito. Como toda comédia que aborda o sexo como tema, tem lá seus exageros, no qual erros e acertos se distribuem na mesma medida. O fato de ser dividido em pequenas histórias é o que mais prejudica o andamento do filme. Visto a quantidade de bundas que aparece na tela, imaginemos o longa com uma escola de samba. Nesta analogia, Dujardin e Cia. perdem pontos na categoria “evolução”.

(3.5/5)
Os Infiéis (Les Infidèles)
França, 2012 – 109 min.
Direção: Emmanuelle Bercot, Fred Cavayé, Alexandre Courtès, Jean Dujardin, Michel Hazanavicius, Jan Kounen, Eric Lartigan e Gilles Lellouche.
Roteiro: Nicolas Bedos, Philippe Caverivière, Jean Dujardin, Stéphane Joly, Gilles Lellouche.
Elenco: Jean Dujardin, Gilles Lellouche, Lionel Abelanski, Pierre Benoist, Guillaume Canet, Aina Clotet.