Crítica: Lola

O que esperar de um remake cujo original (em outra língua) se saiu bem melhor? Alguns diretores realmente conseguem subverter a regra mas são raras as excessões. A cineasta francesa Lisa Azuelos, dirigiu o ótimo Rindo à Toa em 2008 que tinha Sophie Marceau como grande destaque. O filme fez bastante sucesso, elogios de crítica e público, e tudo mais que um artista gosta de ouvir. Pois bem, quatro anos mais tarde, a mesma diretora “resolve” americanizar sua historinha e faturar mais uns trocados com este Lola. O resultado? Clichês, personagens sem carisma e uma trama sonolenta daquelas.

Na história, conhecemos o universo imaturo da personagem-título (Miley Cyrus) que vive no clímax de sua adolescência cercada de amigos. Indefinições amorosas, invejas estudantis, traições, companhias duvidosas, amizades coloridas, vício por tecnologia, depilação brasileira(!), tudo isso e mais um pouco é o que se passa no dia a dia dessa jovem que só consegue buscar conforto para seus questionamentos no colo de sua mãe (interpretada por Demi Moore). Essa última, por sua vez, também vive uma vida complicada em suas idas e vindas com o ex-marido e o surgimento de um novo amor.

Diante o profundo marasmo que permeia Lola durante toda a sua projeção, podemos dizer que o longa já é um forte candidato ao próximo “Framboesa de Ouro”. Podem ter certeza. Diálogos que beiram a nulidade, personagens que detonaram o carisma que transbordavam nos artistas franceses do original, o ritmo acelerado completamente confuso que a trama segue, e as inúmeras cenas desnecessárias deixam essa fita beirando o insuportável.

Em certos momentos parece que não estamos assistindo a um longa metragem e sim um canal de televendas, visto a quantidade de product placement que são apresentados do começo ao fim da projeção. Não que isso não ocorra em outros filmes – vide O Espetacular Homem-Aranha só pra citar uma produção recente – mas o exagero deste artifício atrapalha a interação do público com o universo do filme.

Quando Lola chega ao seu desfecho, as pernas se mexem nas cadeiras, desesperadas para sair do cinema e fugir dessa viagem aterrorizante. Acredito que nem mesmo os fãs da cantora/atriz serão capaz de suportar tal  entediante tortura. Conselho de amigo: Corra (de) Lola, Corra!

(1/5)
Lola (Lol)
Estados Unidos, 2012. – 97 min.
Direção: Lisa Azuelos. | Roteiro: Kamir Aïnouz e Lisa Azuelos.
Elenco: Miley Cyrus, Ashley Greene, Demi Moore, Douglas Booth, Gina Gershon, Thomas Jane.