Crítica: Intocáveis

Segunda maior bilheteria de todos os tempos na França no ano passado (com mais de US$ 360 milhões arrecadados mundialmente) e elogiado por crítica e público em todos os países onde já foi exibido, Intocáveis já está nos planos maquiavélico-financeiros de Hollywood e em breve vai ganhar um remake, estrelado por Colin Firth. Mas a cópia jamais conseguirá superar a leveza do original.

Baseado em uma fatos, o filme é uma belíssima (e inusitada) história de amizade entre dois homens completamente diferentes no que diz respeito as suas raças, educação e classes sociais. Philippe (François Cluzet) é um bilionário aristocrata que, após sofrer um grave acidente praticando parapente, fica tetraplégico. Cansado dos qualificados enfermeiros que se candidatam para cuidar dele, resolve dar uma chance ao malandro Driss (Omar Sy), um imigrante senegalês sem qualquer experiência no ofício, que rompe com o protocolo durante a entrevista para o emprego.

Esfuziante, falastrão e politicamente incorreto sempre que possível, o sujeito, que também possui antecedentes criminais(!) mostra-se o mais adequado para lidar com o cadeirante. Pertencente a outro estrato social, Driss trata seu novo patrão sem comiseração alguma, volta em meia soltando piadinhas inadequadas sobre sua deficiência. Tendo atingido o estágio de aceitação da sua condição física, alguém que o tratasse com igualdade era tudo que Philippe queria.

Dirigido por Olivier Nakache e Eric Toledano – também autores do roteiro -, Untouchables segue uma linha oposta do conterrâneo “O Escafandro e A Borboleta” (2007). Enquanto no longa de Julian Schnabel, o protagonista sofre miseravelmente, Nakache e Toledano optaram por uma abordagem mais descontraída para conquistar o público. A dupla consegue envolver, divertir e cativar o espectador descartando a premissa (cinematográfica) que a vida de um deficiente precisa ser obrigatoriamente fúnebre.

Se o filme funciona, isso se deve também à formidável química entre os dois atores. As poderosas interpretações de François Cluzet e de Omar Sy (vencedor do Cesar de Melhor Ator) é que fornecem ao longa o seu extraordinário poder de sedução. Nem mesmo alguns trechos com soluções fáceis para fazer rir – com Driss bancando a Mary Poppins e se metendo na vida de todos da mansão -, afetam a harmonia do filme. Edificante, Intocáveis nos faz lembrar de algo constantemente esquecido: de que a vida vale a pena, mesmo nos momentos em que se mostra áspera.

(4.5/5)
Intocáveis (Les Intouchables)
França, 2011. – 112 min.
Direção e Roteiro: Olivier Nakache e Eric Toledano.
Elenco: François Cluzet, Omar Sy, Anne Le Ny, Audrey Fleurot, Clotilde Mollet, Alba Kraghede Bellugi.

  • Senegales

    O filme é sensacional, parece até que é americano de tão engraçado! :)))

  • a tempos não assisto um drama envolvente, muito bom… esse vai p/ minha coleção…

  • Daniel M

    Excelente filme, os atores com uma fenomenal interpretação! Aconselho todos à assistirem, vale muito a pena!

  • l3owaltrick

    Um filme que me surpreendeu muito, aconselho a assistir em família.

  • ricardo

    Sem palavras, pra quem andava meio desiludido com o cinema mundial, esse filme da novas esperanças, porque é fantástico, risadas e emoção garantidas.