Crítica: Flores do Oriente


Zhang Yimou (“Lanternas Vermelhas”, “O Clã das Adagas Voadoras”) é um de seus cineastas mais bem-sucedidos e respeitados da China, então, ninguém melhor que ele para comandar Flores do Oriente, longa que mexe no vespeiro chamado Massacre de Nanquim, crime de guerra ocorrido há 75 anos, quando o Japão invadiu Nanjing (Nanquim), a então capital da China, dizimando cerca de 200 mil pessoas entre civis e militares, e promovendo uma série de atrocidades. O evento até hoje causa mal-estar as relações entre os dois países.

Baseado no romance “As 13 Mulheres de Nanquim”, da escritora sino-britânica Yan Geling, o longa recria (em parte) o fatídico ocorrido, ao contar a história de pessoas com personalidades bem diferentes – treze meninas estudantes de um convento, um aprendiz-mirim religioso, uma dúzia de cortesãs de um bordel destruído e um agente funerário se passando por padre – refugiadas num mosteiro, na tentativa de sobreviver ao cerco japonês à cidade. Christian Bale (“O Vencedor”) interpreta o falso religioso, sujeito egoísta que chega à cidade com o propósito de enterrar um padre e faturar uns trocados. Quando encontra-se na posição indesejada de proteger os dois grupos heterogêneos da crueldade do exército invasor, descobre o significado do sacrifício e honra.

As divergências entre as alunas e as prostitutas, tendo Bale como mediador, garantem momentos de alívio na pesada trama, brutal ao extremo quando a violência da guerra é retratada nas cenas de combate. Violência esta vista com maus olhos por alguns críticos, que acusaram o filme de nacionalista e anti-japonês. O fato é que apesar de manipuladoras e unilaterais, estas imagens são necessárias para criar o horror sinônimo da guerra, uma realidade distante para o público em geral.

O maior ponto frágil da superprodução chinesa é justamente sua grande aposta para conquistar o mercado internacional: Christian Bale. O ator, que já “viveu” os horrores da invasão japonesa no início de carreira em O Império do Sol (1987), sob os auspícios de Steven Spielberg, entrega uma performance estereotipada, onde seu personagem de caráter moral discutível transforma-se “num guardião altruísta de mulheres indefesas” sem muita (ou nenhuma) sutileza. Redenção esta que chega depressa demais. Este caro item de importação, no entanto, prova seu valor servindo como coadjuvante de luxo para as ações dos atores chineses.

Tecnicamente, Flores do Oriente é impecável. A direção de arte e a fotografia são de uma beleza plástica singular, onde enchem os olhos não só a luminosidade exuberante do vitral da igreja mas também as cenas bélicas em slow motion. Tudo devidamente pontuado por uma fabulosa trilha sonora que imprime ainda mais emoção a este épico chinês, uma obra sensível e melodramática sem ser piegas, como já era de se esperar do experiente Yimou.

(3.5/5)
Flores do Oriente (Jin líng shí san chai / Flowers of War)
China / Hong Kong, 2011 – 146 min.
Direção: Zhang Yimou. | Roteiro: Liu Heng.
Elenco: Christian Bale, Ni Ni, Zhang Xinyi, Tong Dawei, Shigeo Kobayashi, Tianyuan Huang.

  • é umas das Produção que Promete este ano esta! e do extraordinario diretor Nolan com The Dark Kingnith Ressurge.

  • abel

    Já assisti o filme e achei muito bom… só o final que poderia ter sido um pouco diferente, mostrando realmente oq aconteceu com as "primas"… 😀

  • Denis

    Curti o filme tambem. Detalhe: o Filme tem 2h30(!!!) de duracao, mas nao me cansou. O que prova que Zhang Yimou eh um diretor exelente, pois dado o horror do tema do filme seria muito facil torna-lo em um filme um angustiante, mas tecnicamente o filme eh impecavel: os posicionamentos da camera sao belissimos, a trilha sonora mata a pau e as cenas de batalha muito bem executadas. Fui ao cinema com um pe atra devido a sinopse, mas como o filme era do diretor de um dos melhores filmes nao americanos que ja vi (Heroi), fui quase como uma obrigacao, e valeu a pena!!!

  • ricardo

    Gostei muito do filme, mas não concordo com a crítica a Christian Bale. Não sou fã dele, mas não consigo imaginar ninguém no papel dele que pudesse fazer melhor e tão brilhantemente como ele. Realmente um filme pra quem gosta de temas históricos e uma bela fotografia.