Crítica: Conspiração Americana


Os norte-americanos são fanáticos por conspirações e o que os difere dos demais públicos que também gostam deste tema é que eles, de fato, vivenciaram – ou seria vivenciam? – estes vis planos secretos de consequências grandiosas ao longo de sua história. Em Conspiração Americana, o diretor Robert Redford abusa da liberdade poética para narrar a seu modo um dos eventos trágicos mais estudados da história dos Estados Unidos da América: o assassinato de Abraham Lincoln.

Na trama, ambientada em 1865, o décimo sexto presidente norte-americano sofre um ataque mortal de rebeldes e sete homens e uma mulher são presos, responsabilizados pelo atentado. Mary Surratt (Robin Wright), uma viúva sulista mãe de um dos criminosos, é acusada de acolher em sua casa John Wilkes Booth (Toby Kebbell, num papel sem significância) e seus aliados enquanto eles planejavam o ataque político.

Entra em cena o jovem advogado e herói de guerra Frederick Aiken (James McAvoy) que, convencido por seu mentor Reverdy Johnson (Tom Wilkinson), se oferece como defensor público da mulher perante o tribunal militar instalado. Relutante a princípio, o rapaz dar-se conta que talvez sua cliente seja inocente e esteja sendo utilizada como isca pelo Governo Americano, que pretende capturar o seu filho – John Surrat (Johnny Simmons), o único conspirador que conseguiu escapar.

Apesar do elenco de peso esforçar-se para trazer humanidade aos seus personagens – a produção também conta com Kevin Kline (Será Que Ele É?), Evan Rachel Wood (O Lutador) e Danny Huston (X-Men Origens: Wolverine) -, The Conspirator carece de um argumento mais sucinto. O disperso roteiro de James Solomon não sabe onde deve aprofundar sua narrativa: se na discussão ética que se forma em torno do julgamento ou nas relações entre os personagens; se perdendo ao priorizar elementos supérfluos.

Outra coisa que incomoda bastante é a insípida tentativa de Redford em enfiar goela abaixo do espectador sua visão política. Existe uma ideologia por trás de cada cena e diálogo, posicionada de forma a defender um lado. O resultado é um filme arrastado que não funciona como drama histórico (visto que os livros dedicados a este assunto raramente analisam o envolvimento de Surratt), instrumento de politicagem anti-Republicana e muito menos como thriller de tribunal.

(2.5/5)
Conspiração Americana (The Conspirator)
Estados Unidos, 2010 – 122 min.
Direção: Robert Redford. | Roteiro: James D. Solomon.
Elenco: James McAvoy, Robin Wright, Kevin Kline, Evan Rachel Wood, Tom Wilkinson.