Crítica: O Príncipe do Deserto


Baseado na obra Arab de Hans Ruesch, O Príncipe do Deserto é uma aventura épica que se passa no início do século, quando o petróleo foi descoberto em abundância nas terras árabes. Dirigido pelo cineasta francês Jean-Jacques Annaud (do ótimo Círculo do Fogo e do clássico O Nome da Rosa) a trama é moldada de trivialidade o que por um lado é bom, pois, o público incauto se sente mais conectado com o que ocorre na telona, embora a fita pareça superficial em alguns momentos.

A história, ambientada em meados da década de 1930 na região petrolífera conhecida como “Cinturão Amarelo”, gira em torno de um jovem príncipe árabe dividido entre a lealdade e as indagações de seus dois pais. Por trás da aparência de desajeitado (que o longa faz questão de enfatizar com os inúmeros “tropeços” do personagem no início do filme) esconde-se um homem íntegro, inteligente que defende seus princípios com sangue e suor. Anos depois, o protagonista (bem mais maduro nessa altura do campeonato) tenta se impor como uma espécie de “Emissário da Paz” do lugar. Se existisse nos dias de hoje, o Príncipe Auda seria indicado ao Prêmio Nobel.

Entre um passeio de camelo aqui e outro acolá, texanos de botas e chapéus chegam a região trazendo a promessa de enriquecimento à curto prazo. Muitos ganhos com a descoberta do ouro negro: uma pequena pista de pouso para aviões, escolas, eletricidade. Mas nem todos os povos estão satisfeitos com essas modernidades. Cheio de frases de efeito, os dois governantes, Amar e Emir Nesib, pais do garoto, interpretados respectivamente por Mark Strong (Robin Hood) e Antonio Banderas (A Pele Que Habito) valem o preço do ingresso. Cada um com seu personagem, completamente diferente, ajudam muito para que a trama chegue agradável ao espectador.

A diferença entre Ocidente e Oriente é focada nas diferenças das crenças religiosas e da forma de fazer política. Sobretudo esta última e sua tênue linha, retratadas como a grande e verdadeira paixão do Príncipe Auda. E Tahar Rahim (A Águia da Legião Perdida) sai-se muito bem interpretando esse personagem, sem comprometer a fita em nenhum momento.

O filme é um pouco longo, mas graças a melodiosa e hipnotizante trilha sonora assinada pelo talentoso compositor James Horner – o homem que deu som à Pandora em Avatar) – o público nem sente o tempo passar. Contagiante, eleva os momentos das grandes batalhas nas areias do deserto. Não é nenhum Lawrence da Arábia, mas vale a pena conferir.

(2.5/5)
O Príncipe do Deserto (Black Gold)
França / Itália/ Tunísia / Catar, 2011 – 130 min.
Direção: Jean-Jacques Annaud. | Roteiro: Menno Meyjes.
Elenco: Antonio Banderas, Freida Pinto, Mark Strong, Tahar Rahim, Corey Johnson.