Crítica: Espelho, Espelho Meu

“Espelho, espelho meu existe alguém mais bonita que Julia Roberts? Sim, a filha do Phil Collins!” Dirigido pelo indiano Tarsem Singh (Imortais), Mirror Mirror é o primeiro dos filmes desse ano que exploram o universo de Branca de Neve: uma visão maluca, colorida, porém, muito divertida do clássico escrito pelos irmãos Grimm no século XIX.

Na trama, uma princesa que já conhecemos de outros carnavais, é exilada do reino em que vive, dominado agora por uma rainha cruel. Abandonada e em fuga, corre pela floresta sem destino, até conhecer sete anões (bem diferentes daqueles de outrora). Aos poucos vai virando líder dos pequenos ladrões mascarados – uma espécie de Robin Hood de saias -, combatendo as ações maléficas da governante da região.

Tudo no filme é cheio de efeitos e extravagância. Cenários grandiosos, figurino requintado, corajosos anões em pernas de pau infláveis (às vezes, parece um show circense), piadas visuais, muitos diálogos engraçados e a aparição de um rei no mínimo curiosa (por conta do sucesso de Sean Bean, ator que o interpreta, presente em Game of Thrones). Importante é que a fita diverte e deve agradar a todos os tipos de público.

A inglesa Lily Collins (filha do famoso músico) passa uma paz e uma tranqüilidade própria da personagem. A protagonista Branca de Neve quando sai do casulo vestida de “chapeuzinho amarelo” cresce na história, mas é ofuscada pela grande atuação da intérprete da rainha. Em alguns momentos, mesmo nas cenas com o foco em Branca, quando Julia não está em cena, parece que o filme não anda.

Mrs. Roberts foge do rótulo de boazinha e rouba o filme para si. Uma rainha falida que exala loucura a cada momento, uma personagem excêntrica que adora fazer uso de magia negra, além de receber um tratamento de beleza bizarro com direito a creme facial feito de bosta de papagaio. Um dos melhores trabalhos de sua carreira, otima atuação da ganhadora do Oscar.

Entre os coadjuvantes, Nathan Lane merece destaque interpretando Brighton, o braço direito da Rainha má. O famoso ator, que dá um show em A Gaiola das Loucas (1996), parece improvisar muitas vezes e a fórmula funciona em muitos momentos. Quando surge vestido, impossível controlar o riso. Já Armie Hammer (os gêmeos de A Rede Social), exagera como o príncipe bobão, às vezes acertando, outras não.

Apesar do pique irregular, Espelho, Espelho Meu diverte com seu tema leve e despretencioso, graças ao roteiro de Melissa Wallack e Jason Keller que faz alguns ajustes moderninhos daquela famosa fábula que escutávamos quando pequenos. Nos créditos finais, o espectador vai às gargalhadas ao saber os desfechos dos corajosos anões. Ainda, nesse momento quando sobem as letrinhas, um gran finale à La Bollywood os aguarda.

(3.5/5)
Espelho, Espelho Meu (Mirror Mirror)
Estados Unidos, 2012 – 106 min.
Direção: Tarsem Singh. | Roteiro: Jason Keller e Melisa Wallack.
Elenco: Julia Roberts, Lily Collins, Armie Hammer, Nathan Lane, Michael Lerner, Sean Bean.

  • Eu estou bastante ansioso para conhecer esse filme. Fico contente que ele seja assim divertido, pelo menos justifico o dinheiro que gastarei nos cinemas. Realmente deve se tratar de algo interessante, anseio por ver Julia Roberts roubando a cena para si, como você mesmo disse.
    🙂

  • “Espelho, Espelho Meu” é inocente, é bobinho, e repleto das asneiras que vemos por aí, mas exibidas de maneira tão gostosa que nos entregamos a suas tolices sem pensar duas vezes.