Crítica: Diário de Um Jornalista Bêbado


Ao ver o minguado resultado das bilheterias após a estreia de Diário de Um Jornalista Bêbado nos EUA, o astro Johnny Deep deu um xilique dizendo que a culpa era da população do interior que “não gostava de filmes inteligentes”. Preconceitos à parte, se o filme (baseado no romance homônimo de Hunter S. Thompson) é um fiasco quase que por completo, certamente a culpa não é do midwest norte-americano.

Na história, ambientada nos anos 1960, Depp vive Paul Kemp, alter ego do autor, jornalista que depois de se queimar profissionalmente em sua terra natal, chega a Porto Rico para trabalhar em um jornal decadente. Alcoólatra inveterado, ao invés de cumprir pautas, passa o tempo com os colegas de profissão Bob Sala (Michael Rispoli) e Moberg (Giovanni Ribisi), tão loucos quanto ele, experimentando todo tipo de bebida e drogas recreativas.

Entre rinhas de galo e festas típicas do lugar, envolve-se com um esquema de especulação imobiliária comandado pelo ganancioso relações públicas Hal Sanderson (Aaron Eckhart) e apaixona-se perdidamente pela noiva deste, Chenault (Amber Heard). Em paralelo, corre uma trama sobre a dependência porto-riquenha em relação aos americanos, e de como interesses financeiros ditam as regras daquele país, marcado por uma grande desigualdade social.

Não é a primeira vez que Depp encarna um personagem de Thompson. No lisérgico Medo e Delírio (Fear and Loathing in Las Vegas), de 1998, dirigido por Terry Gilliam, ele já havia visitado o universo do escritor, notório alcoólatra e drogado, crítico ferrenho do chamado “sonho americano”. Mas, nem essa “familiaridade” com o autor, que assim como ele repudiava o conformismo, é o suficiente para trazer sobriedade ao filme.

Diário de Um Jornalista Bêbado até começa bem, mas não demora a tropeçar. A trama mostra-se confusa e enfadonha, salvando-se uma gag visual aqui outra ali. O excelente trabalho do elenco é sumariamente neutralizado pela mediocridade do roteiro e a direção trôpega do enferrujado Bruce Robinson – que não dirigia um longa há 19 anos, desde Jennifer 8 – A Próxima Vítima de 1992.

Por tratar-se de um projeto pessoal de Johnny Deep (amigo de Thompson, falecido em 2005) é até compreensível sua irritação com o fracasso do filme – que custou US$ 45 milhões e arrecadou pouco mais de US$ 13 milhões. Mas, culpar o povo estadunidense do interior é covardia. Até porque o (ir)responsável Robinson estava ali bem ao seu lado, dirigindo a fita, aparentemente no mesmo nível de embriaguez do protagonista – ou seria mesmo incompetência?

(2/5)
Diário de Um Jornalista Bêbado (The Rum Diary)
Estados Unidos, 2011- 120 min.
Direção e Roteiro: Bruce Robinson.
Elenco: Johnny Depp, Aaron Eckhart, Michael Rispoli, Amber Heard, Giovanni Ribisi.

  • lala

    o livro é muito bom, mas nao curti o filme nao

    hunter thmpson é foda