Crítica: A Perseguição


Após a decepcionante adaptação da série televisiva Esquadrão Classe-A, o astro Liam Neeson e o diretor Joe Carnahan voltam a trabalhar juntos neste A Perseguição, um “filme menor”, sem orçamento inflado ou a pressão de um grande estúdio. O resultado é um thriller tenso do princípio ao fim, ambientado num local selvagem e perigoso, porém, belíssimo. E que surpreendentemente subverte alguns clichês típicos dos “filmes homem x natureza”.

O caçador Ottway (Neeson) está farto daquilo que considera “um trabalho no fim do mundo”: cuidar da segurança de funcionários de uma companhia petrolífera no Alaska, eliminando os animais ferozes quando eles se aproximam da área de extração. Desde o falecimento de sua esposa, ele pondera todos os dias, o suicídio. Mas, eis que o destino resolve lhe pregar uma grande peça, derrubando o avião em que viajava com os seus “colegas” de trabalho.

Perdidos numa região inóspita, Ottway e os seis demais sobreviventes precisam aprender como superar as baixas temperaturas e os perigos do lugar. Perseguidos por uma feroz alcateia que povoa o território – o título original, “The Grey” refere-se ao lobo cinzento -, o grupo tenta a todo custo encontrar forças e motivo para manterem-se vivos.

Vendido com uma simples fita de ação, A Perseguição é mais do que isto. Repleto de simbolismos, o longa escrito pelo diretor Carnahan em parceria com Ian Mackenzie Jeffers (autor do conto Ghost Walker em que o filme é inspirado) propõe uma análise de vida e morte, daquilo que nos impulsiona, da nossa “missão” neste mundo e da condição humana em situações extremas. A obra também é uma verdadeira aula de comportamento animal. A medida que o tempo avança, lembramos que o ser humano também é feito de instinto e não tão diferente dos considerados “irracionais”.

Apesar de seguir a cartilha dos filmes de aventura – com direito a várias sequências inverossímeis -, A Perseguição está longe de um mero entretenimento descartável. Mas, é preciso concentrar-se na “essência” do filme para apreciá-lo. Até porque o trailer promete um embate final que não vai se cumprir, o que pode trazer um sentimento de frustração para o espectador desavisado. E a cena pós-créditos, que contém o desfecho de fato, só vai enfurecer este público ainda mais.

(3.5/5)
A Perseguição (The Grey)
Estados Unidos, 2011 -117 min.
Direção: Joe Carnahan. | Roteiro: Ian Mackenzie Jeffers e Joe Carnahan.
Elenco: Liam Neeson, Dermot Mulroney, Frank Grillo, James Badge Dale, Joe Anderson.

  • Não me parece se tratar de uma obra interessante, ainda que você tenha a defendido com eficiência. Mas, de qualquer modo, pretendo vê-la logo, quero tirar minhas dúvidas quanto a esse filme.

  • Assisti este filme e achei apenas medio.Ou seja voce consegue entreter por alguns minutos,principalmente apos o acidente , mas no geral o final decepciona um pouco.Bom para passar uma noite sem opção e assistir em casa,no cinema não vale o ingresso.

  • .com.brRicardo

    É simplesmente um lixo. Sem enredo, pretensioso, chato e sem final. Nada mais a dizer.

  • Eduardo

    Não fazia idéia da existência desse filme. rs Mas sua crítica me chamou atenção, até porque gosto desse tipo de filme, “filmes homem x natureza”. Tentarei assistir esta semana, aí volto aqui e comento o que achei.

  • Jefferson

    Eu adorei o Filme, por que não se trata de um simples “jogo entre presas e predadores”. Em sua grandiosidade, é um filme generoso na oferta de elementos reflexivos. Um puro exercício filosófico, adentrando temas pertinentes à existência do homem em sua maior necessidade: a de conhecer a si próprio e o mundo no qual vive. Há outros elementos: provocar as suas memórias e sentimentos, entender as suas limitações, vasculhar a sua alma e, acima de tudo, compreender a sua racionalidade.
    Simplesmente o final, fica por de cada um "Instiga a que cada um reflita, busque uma resposta, não deixe o pensar vago ou isso mesmo, e force a sua racionalidade para encontrar o seu desfecho."

  • João Gabriel

    Realmente, o filme é muito bom, respondeu as minhas expectativas, ainda assim tem algumas falhas, mesmo q pequenas, como por exemplo a diminuição cada vez maior da aparição do lobos, o que na minha opinião matou um pouco o ritmo tenso e de suspense até, do filme. Mas, mesmo assim, de 1 a 10, daria 9!!

  • Daniel Barros

    O filme tem bem mais a dar que um simples filme de aventura (duas horas ou menos de diversão). Vi nele belas metáforas, sobre o que pode mover o ser humano, sobre perdas e a vida. Assisti na semana passada e várias sequências ficaram na minha cabeça, bem mais que duas horas de diversão.